Exposição A Dobra – Maurity Damy

As dobras[1] têm várias partes que são multifacetadas nas maneiras de fazê-lo, tornando-se um labirinto, ou,  como diz o artista, “um labirinto de predicados”.
Observando-se os trabalhos de Maurity, cada quadro nos leva a um labirinto de significações, com histórias, com predicados. São alegorias do barroco, pois em seus trabalhos observamos técnicas e conceitos do barroco, como, por exemplo, o alargamento horizontal da base, o abaixamento do frontão,  traços curvos, ângulos retos e cantos arredondados. Identificamos essas características nos trabalhos “Introspectivo” (2014) e “Apoteose” (2014), entre outros.  Como dizia Leibniz, “não há retas sem curvaturas entremeadas”, mas também não há curva de uma natureza finita sem mistura de alguma outra. Trata-se não mais da possibilidade de determinar um ponto anguloso entre dois outros, por mais próximos que estejam, mas de sempre acrescentar-se um rodeio, fazendo-se de todo intervalo o lugar de um novo dobramento. E nessa turbulência de pontos fractais do movimento da mão, abre-se a dobra, uma nova afecção, encontros pontuais de um corpo com outro, onde Maurity tira suas ideias e produções.
Nos trabalhos atuais, a reclusão por conta da Pandemia, notam-se profundos dramas da contemporaneidade, desdobrando-se sempre nos corpos dos protagonistas das cenas dos quadros.
Nos trabalhos “Catarse” (2021) e “Sonho Metropolitano 1 e 2” (2021), destaca-se luz forte e desfavorável; mostram-se traços fugidios, gestos traidores, dissecando assim relações entre pessoas, intimidade, nudez e papel social de sua transgressão, solidão, sexualidade, voyeurismo, em suma, tudo que atrai o observador em seus devaneios.
As composições diagonais do corpo de homens ou mulheres, a perspectivas do espaço de origem renascentistas, nos trazem uma narrativa, assim como nas obras do artista Edward Hopper, criando recortes e planos de fuga, onde o artista se orientava pela magia perturbadora do banal .
Maurity, para traduzir suas angústias do banal do ordinário, escolheu tons gélidos ou cores em tons baixo, pessoas sozinhas em transporte público, algo irreal.  Em algumas cenas se sobressai o vermelho. No trabalho “Catarse” (2021), temos um homem sentado numa posição de acomodação diante de uma realidade doméstica; talvez esteja sonhando com a ilusão que é transmitida pela pintura paisagística, em termos de composição da cena, ao contrário daquele espaço no qual se situa o observador.
Assim serão todos os quadros atuais, significativamente vazios, oferecendo apenas um consolo da ficção.


[1] O nome dado a exposição foi basedo no livro de Gilles Deleuze sobre o Leibniz e o Barroco

Loly Demercian

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