De-Construcciones Urbanas

“De-Construcciones Urbanas” é uma mostra coletiva da qual fazem parte os artistas Rodrigo Gontijo, Lucas Gervilla, Pablo Dewin Reyes Maulin e o fotógrafo Moacyr Pereira (1932-2014).
São pesquisas sobre o campo da paisagem suspensa pelo tempo e pelo espaço. Trata-se da perda de um lugar na contemporaneidade; sobre as construções e desconstruções que fazemos da nossa memória cultural, afetiva e de pertencimento.
As memórias são formas de vida, ou seja, potencialidades que se encontram em qualquer espaço no qual possa se mover um indivíduo, que, nesse sentido, é uma espécie de “ecossistema”, que negocia as histórias à sua volta e em seu interior.
Rodrigo Gontijo apresentará duas instalações: “Sobre Desejos e Soletudes” (2019) e “Corte Seco” (2018). Esses trabalhos discutem experiências no campo da dinâmica urbana e suas consequências no cotidiano, além de estabelecerem suas relações com a ecologia e pulsações da vida: uma metáfora sobre a vida e a morte.
Lucas Gervilla apresenta um vídeo intitulado “Família” (2017). Cuida-se de trabalho realizado na Rússia, num projeto em parceria com dois artistas locais (Dasha Delone e Dima Goryachkin). A gravação traduz o que estamos vivendo hoje, tanto na política como na cultura, uma analogia da roda, do círculo, onde constantemente nos esquecemos das experiências de gerações passadas, repetindo, assim, seus erros.
O artista cubano Pablo Dewin Reyes Maulin integrará a exposição com fotografias (“De-Contrucciones Urbanas”, 2018). Refugiado no Canadá ele eterniza em seu olhar, por meio da lente fotográfica, a agonia em ver sua cidade, Havana, ser destruída pelo tempo e pela ganância imobiliária e turística.
Traz na memória afetiva e histórica aquela que foi uma das cidades mais desenvolvidas da América Latina ser destruída ou esquecida. A arquitetura é a memória ou a geografia, onde nos identificamos, lá ficam nosso imaginário.
Por fim, estaremos homenageando o fotógrafo Moacyr Pereira ( 1932-2014), fotógrafo andarilho, sempre na companhia da sua câmera fotográfica, que registrou demolições na cidade de São Paulo. Será apresentada a implosão do Edifico Wilson Mendes Caldeira, um dos maiores prédios da Cidade de São Paulo durante a década de 60. Foi implodido e demolido para dar lugar à construção da estação do metrô da Praça da Sé. À época, deu-se o mesmo destino ao conhecido palacete Santa Helena (que era ocupado por artistas conhecidos como “Grupo Santelena” ou “Santelenistas”), que se situava ao lado do edifício Mendes Caldeira, ambos representavam em São Paulo a contemporaneidade.

Loly Demercian

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