Grupo 7- Casa Ocupada/ Ocupa Casa

GRUPO 7

A curadora de arte e pesquisadora Roseli Demercian (Loly), antes mesmo de aprofundar suas pesquisas para a elaboração da tese de doutorado, defendida com êxito no ano de 2017, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, já acreditava que as manifestações artísticas na atualidade são produzidas a partir de experimentações e do convívio entre artistas, com compartilhamento de seus ateliês, de suas vidas, possibilitando dessa forma uma criação, um novo modo de ver o mundo e um novo vocabulário para se redefinir ou reconfigurar aquilo que se acredita ser a real significação o verdadeiro sentido da arte contemporânea.

Como salienta HANS ULRICH OBRIST (2011, p.7)[1]:  […] o lado imaterial da experiência também se torna substância concreta do projeto artístico e, consequentemente, passível de curadoria. As conversas, os encontros e trocas reunidas, são materialização de um espaço expositivo reinventado e, portanto, um novo ponto de encontro com a arte.

Movida pelo desejo de desenvolver o projeto, Loly Demercian formou um grupo com sete artistas, que abraçaram a ideia de promover esses encontros com troca de experiências estéticas, a partir de ideias compartilhadas, que proporcionam a visualidade contemporânea num ambiente artístico e que expressam a liberdade com suas especificidades.

Como salientou Cecilia Salles:[2] […] discutir arte sob o ponto de vista de seu movimento criador é acreditar que a obra consiste em uma cadeia infinita de agregação de ideias, isto é, em uma série infinita de aproximações para atingi-la” ( SALLES, 2011, p.33).

Seguindo essa linha, os artistas a seguir nominados, que integram o “Grupo7” (Azeite de Leos, Ana Carmen Nogueira, Maurity Damy, Marietta Toledo, Milton Blaser, Raphaelle Faure–Vincent e Sueli Rojas), estarão ocupando a Casagaleria e Oficina de Arte, com um conjunto de trabalhos que emergiram das reflexões desses encontros, com a finalidade de mostrar, não exatamente o objeto final, mas aquilo que ele esconde, suas narrativas e manifestações, que possam ou não penetrar na estrutura do invisível. São manifestações do pensamento, apropriações, invenção de técnicas, memórias, deslocamento, pinturas, desenhos, esboços inacabados e novas possibilidades de ver o mundo por meio da arte.

Serviu também de inspiração para o presente projeto a lição de Silvia Meira[3], para quem a forma relacional da arte contemporânea demonstra que a prática artística caminhou para a criação de situações em experiência vivencial. Em outras palavras, as interações humanas configuram relações intersubjetivas de maneira a tornar a arte um lugar de encontro, de ligação e de convivência com o sensível.

Loly Demercian[4].


[1] OBRIST, Hans Ulrich. Entrevistas . volume 5 ( tradução Diogo Henriques…et alli.). Cobogó: Rio de Janeiro, 2011.
[2] SALLES, Cecilia Almeida. Gesto Inacabado (5a ed.). Intermeios, São Paulo, 2011.
[3] MEIRA, Silvia Miranda. A imagem moderna: um olhar. Belo Horizonte, C/arte editora, 2016, p.01.
[4] Graduação em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Graduação em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, especialização no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo  e mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é membro do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Criação nas Mídias (CCM) da PUC/SP, coordenado pela Prof. Dra. Lúcia Leão.  É curadora independente. Tem experiência na área de arte/educação, História da arte e curadoria, atuando principalmente nos seguintes temas: curadoria de arte, processos artísticos, arte contemporânea, novas mídias e filosofia contemporânea.  Realizou mais de 30 exposições de Arte e projetos culturais.

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