Everson Fonseca- Anima


Sobre o Artista –

Era o mês de julho, um dia frio, as ruas estavam vazias, tarde da noite, vinha de uma curadoria ali perto, toquei a campainha, era o Everson, abriu a porta de sua casa/ateliê, batia cheiro de tinta óleo, deparei-me com um lustre enorme de cristal e uma escadaria de madeira. A cada lance de escada ela criava vida a ponto de ranger, as paredes cheias de trabalhos dele e de amigos.
A partir de então comecei a entender os trabalhos do Everson: era só ir ao seu espaço de produção para entender seu universo criador, no qual a imaginação corre solta por todos os lados que olhamos. Até mesmo o banheiro, com uma banheira antiga, ornamentos do estilo rococó, cortinas esvoaçantes, parecendo um mundo encantado. O tempo nesse espaço não existe.
Inverno e silêncio. Menos na casa/ateliê de Everson. Vinho, uva, sementes secas, sorrisos, alegrias, um verdadeiro mundo de Baco, mais conhecido como Dionizio, deus do vinho, uma figura boêmia e festiva.  Sua casa estava cheia de amigos no andar debaixo. Uma cozinha difícil de entrar – onde provavelmente esconde suas poções mágicas – e um terraço de entretenimento, com cadeiras longas, sofás, pufes, livros. Esse é o verdadeiro “mundo de Everson”.
Essa magia se reflete diretamente nos seus trabalhos plásticos, tal como nos personagens de Lewis Carrol. Trata-se de em mundo repleto de animais e objetos antropomórficos, que ele retrata como seres humanos.
Suas pinturas são extremamente detalhistas, tal como os artistas clássicos do século XVI, mais especificamente os artistas que faziam natureza morta.  Everson, no entanto, criou seu gênero artístico.
Dando vida a objetos inanimados, tudo se torna composição de seus retratos, misturando tecidos, animais, pessoas imaginadas, numa riqueza de detalhes nos ornamentos e alegorias. Sua paleta com cores vivas, brilhantes e vibrantes, é carregada de histórias.
Everson Fonseca irá nos presentear com dezenove trabalhos numa exposição solo ANIMA,  na Casagaleria e oficina de arte Loly Demercian no dia 22 de novembro a 21 de dezembro de 2019. Anima em latim significa natureza divina, alma, o princípio de todo ser vivo, e, no vernáculo, significa também vida, brincadeira e alegria.

Loly Demercian


Curadoria e texto critico: Loly Demercian

Kika Goldstein- Memórias perceptivas/ Cor, forma, espaço


Sobre a Artista

A artista Kika Goldstein, natural de São Paulo, nasceu em 28 de setembro de 1984. É Bacharel em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina, 2007, São Paulo. Participou de várias exposições internacionais coletivas realizadas em Lisboa (Portugal, 2005 e 2009), Paris (França, 2009 e 2010), Frankfurt (Alemanha, 2010), Rotterdam (Holanda, 2014) e Mônaco (2015). No Brasil, expôs São  Paulo, Araras (São Paulo) e Rio de Janeiro.

Memórias perceptivas – cor, forma espaço será a quinta mostra individual da artista.

Kika Goldstein nos diz que suas memórias são uma fonte profunda de pesquisa para seus trabalhos. São memórias trazidas de um fundo original, de um tempo e um espaço não, totalmente, decifráveis. Manifestam-se por meio de um som, um odor, uma cor, por tecituras e atmosferas. Esses indícios de memória penetram, segundo a artista, numa compreensão maior, ou seja, num estado criador, num desejo como força produtiva que busca relações entre o que pode ser lembrado e sua experiência contemporânea de mundo da vida.

Kika desenha intenções pesquisadas em suas origens criadoras, orquestrando heranças próprias, referências fundamentais da arte e do interrogar incessante sobre sua atualidade como artista. É um exemplo, sua descrição da construção pictórica pelas massas de cor na busca dos recortes de uma memória esquecida. O olhar movimenta-se à procura de uma arqueologia de formas soltas, fragmentadas e coloridas que, algumas vezes, juntas outras isoladas, lançam-se num espaço matérico.

Nas palavras da artista,- “…as formas dançam no espaço do suporte e oferecem-se ao olhar…” e “…por vezes, vemos cores-formas querendo transgredir os limites do espaço da tela e alcançar a profundidade vivida.”

Com seus recortes, encontros das imagens, velando ou entrelaçando sua plástica de mundo em jogos compositivos, Kika Goldstein nos deixa a impressão que sua visão artística fundamenta-se na crença que a arte pode estar a serviço da cultura: na troca entre as várias dimensões do mundo da vida, a artista procura tecer em visualidades um lugar com a presença do olhar e do pensar sobre o mundo.

O que presenciamos, em primeiro lugar, é a relação da artista com seu ofício,- seus esboços, desenhos, aquarelas e óleos são trabalhados por meio de um amplo estudo dos procedimentos a serem usados. Junto a essa característica, sua estreita relação com a pintura fundamenta reflexões sobre a construção da linguagem artística: a pesquisa sobre a cor, a forma que pode envolvê-la, suas texturas e materialidades são referenciadas por pensadores como Merleau-Ponty e Didi-Huberman.

A pintura é uma forma de pensar o mundo, é estrutura de conhecimento e um modo de projetar percepções, sínteses de vivências.

Em Memórias perceptivas – cor, forma espaço, exposição que a artista abre em 10 de outubro na CasaGaleria – Oficina de Arte, o visitante tem a possibilidade de adentrar esse universo e perceber que Kika Goldstein, ao estar empenhada em demonstrar seu pensamento artístico, desenvolve um trabalho lógico e construtivo sustentado pelas interrelações existentes entre a realidade dada e aquilo que a sustenta por dentro, ou seja, entre a pintura e a apreensão inquietante de mundo.

Carmen Aranha
Loly Demercian

FEAC DESIGN- Feira Experimental de Arte Contemporânea Design

Horário: Das 10h da manhã às 22h
Local: Shopping Cidade Jardim, Casa Bossa 
Rua Av. Magalhães de Castro, 12000, 3º andar.



Um projeto curatorial para exposição de arte e design que tem como conceito a experimentação (cf. Walter Zanini, criador do Museu de Arte Contemporânea do Estado de São Paulo): “Tornar-se um laboratório para artistas, e ao mesmo tempo, servir como um grande experimento”. Em outras palavras, a maneira de conceber exposições de arte em feiras. Será como uma estrutura de Bienal, formando um único núcleo com suas especificidades, transformando-o em local mais democrático e de liberdade, em especial pela curadoria e temas relacionados como colecionismo. Um território livre para artistas. 
O espaço de arte é ainda um local ambíguo, em especial na visão ampla de públicos gerais. A arte conforma-se como meio etéreo no resguarde de paredes “marmóreas”, cujo convite de visita requer uma ousadia quase investigativa. Porém, havendo tentativas de acesso, há o risco de cair presa de uma pluralidade descuidada, e de um empreendimento que por vezes arisca a negligenciar proposta estética, o elo harmônico entre as expressões. O diferencial da FEAC, metonímico de seu próprio amplo espaço de exibição, é precisamente o rigor curatorial que empreende a prerrogativa de tornar visível e acessível um acervo plural, ao passo que mantém uma identidade típica das bienais. Empreender um pavilhão de mil óticas e costurar a estética de várias expressões sob um mesmo teto que abarque uma experiência viva de arte. O experimental é intrínseco ao fazer de todo artista, no criar como feitio de descoberta, do entendimento das matérias e realização do conceito. Esta feira, em sentido lato, segue experimental como eco destas mesmas razões, que lhes convidamos a escutar.
E a Feira Experimental de Arte Contemporanea e Design quer se revestir de uma maneira multifacetada , porque percebemos que as atuais feiras não estão dando conta de tudo que anda acontecendo no mundo pós – modernidade.
Nos dias atuais, com a extraordinária difusão de novas mídias, possibilitando diferentes espaços e narrativas para novas culturas – saindo do Eurocentro e da cultura norte-americana e permitindo tensões em novos territórios – as exposições tem de articular novas tendências e debates, porque a arte contemporânea demanda de seus legitimadores discussões e diálogos com o público, justamente com o propósito de construir uma linguagem contemporânea sobre o próprio objeto de arte: como ele se constrói e quem o cria. Para tanto, é cogente uma nova visão dos conceitos de curadoria e de estéticas contemporâneas.
METAS:
A nossa inserção no mercado quer fomentar exatamente a formação de artistas e sua produção, ampliar o acesso a arte:

  • Tendências de mercado
  • Fortalecimento da economia criativa
  • Conversas com profissionais de outras áreas do conhecimento
  • Ampliar visão de mundo
  • Debater a moda e suas influências na atualidade
  • Modos de vida por meio do design
  • Lançamento de exposições
  • Formação de um novo colecionismo
  • Ampliar a formação de novos talentos

Andre Araujo- Na Danada: O esgar do crânio nu


Sobre o artista

A Casagaleria e oficina de arte Loly Demercian tem o prazer de apresentar NA DANADA: o esgar do crânio nu, a nova exposição de Andre Araujo. O artista exibe obras em escultura, pintura, livro de artista e vídeo imposta por temas como corpo, erotismo, sexualidade, política, violência e morte. Baseando-se em referências diversas da literatura e da música os trabalhos propõem narrativas fragmentadas, apresentadas em um fluxo de consciência que convocam o público a refletir sobre a irracionalidade reinante do país e do mundo no momento atual. Desde o final dos anos de 1980, Andre Araujo desenvolve uma ampla pesquisa sobre a violência, o medo, o erotismo e a morte através de projetos que já passaram por Miami, Karlsruhe, Avanca, entre outras. Seu interesse pelo Punk e suas temáticas volta-se tanto para investigações filosóficas sobre o corpo e suas variantes (fragmento, grotesco, abjeto), como também pelo corpo a ser manipulado no âmbito político, o que vem levado à ascensão de governos autoritários em várias partes do mundo.
O aspecto onírico ressoa na pintura Fluxo-floema (2019), obra homônima ao livro de Hilda Hilst, publicado originalmente em 1970, onde a escritora apresenta uma linguagem fragmentada com passagens que mostra um corpo grotesco e abjeto, e que Andre se inspirou, ao criar uma pintura produzida em um fluxo de consciência onde as imagens são apresentadas de forma vertiginosa e agressiva.
A exposição promove a transposição dos personagens do livro, seus ambientes e seus corpos fragmentados para o atual contexto do país, apresentando corpos de forma metafórica através de alegorias de animais e plantas do bestiário de Hilda Hilst, fazendo uma relação direta entre a palavra e a imagem. O artista atribui as pinturas a alcunha de Ruiska, Lázaro, Osmo, Crasso, Clódia, nomes dos personagens de Hilst, borrando os limites entre ficção e realidade. Andre faz pinturas sobre tela que mesclam a clássica linguagem expressionista com uma contaminação da linguagem contemporânea onde fragmentos urbanos são deslocados e colados na tela como rastros, para revelar uma narrativa perversa, permeada pela violência.
Seres antropomórficos com falos e vulvas aparecem em meio a um vermelho-
sangue, indicando a violência da desigualdade e das tiranias do ser humano.
O vídeo NA DANADA: o esgar do crânio nu (2019), homônimo ao título da exposição, em parceria com a diretora Simone de Paula Rêgo, ocupa uma instalação na Galeria. Projetado em loop sobre uma pintura, e com duração de 06:00 minutos, o
filme indica em sua própria estrutura referências ao livro Fluxo-floema de Hilda
Hilst ao apresentar uma narrativa fragmentada e em fluxo de consciência onde apropriações de imagens de diferentes lugares se fundem com fotografias e animações. Esse procedimento passa pela a ideia de colecionismo. Ao colecionar imagens e objetos, o artista coletor retira o objeto ou a imagem de suas funções utilitárias e lhe atribui um outro caráter que é estabelecido com os demais componentes da coleção. Procedimento que também remete à antropofagia cultural presente no Manifesto Atropofágico (1928) de Oswald de Andrade. A imagem da palavra também é presente no vídeo, como trechos do livro de Hilst e um poema de Wagner Moreira, extraído do livro Solos (2015). A vídeo-pintura-instalação também remete às gravuras de Theodor de Bry, Human cannibalism (1593) para o livro de Hans Staden Duas Viagens ao Brasil (1557). A imagem do vídeo projetada em uma pintura alude à pratica dos antigos profetas que liam o futuro nas vísceras dos animais sacrificados. Por meio das vísceras era possível interpretar a ordem do universo e compreender as mensagens do invisível por meio de sinais. Pelas imagens do vídeo, projetadas nos órgãos, o expectador tem uma visão niilista de um futuro incerto.
Além dos conceitos de fragmento, grotesco e abjeto, o vídeo NA DANADA também está calcado no pensamento agambeano de Tanatopolítica. Giorgio Agamben diagnosticou práticas características do estado de exceção no âmago de governos democráticos, percebendo a exceção como uma das tecnologias de governo mais alastradas em nosso tempo. Exceção e democracia, hoje, não são um o avesso do outro, mas convivem numa contiguidade própria a sistemas mantidos por simbiose. A exceção instala-se como uma técnica eficaz na democracia que nos governa legalizando a morte e indivíduos “matáveis”: a tanatopolítica. Andre usa o arquétipo do cadáver, cadere, caído, a imagem do corpo grotesco, velho e próximo à terra. A imagem da caveira também é elencada em diversos momentos como a imagem de um corpo eterno, a imagem da memória, tão prezada ao pintor.
A imagem do corpo, nos trabalhos de Andre, também está vinculada não ao medo da morte, pois essa é certa, é rainha, chega a qualquer hora, mas está associada à angústia de viver, do corpo exposto a um existir doído e injusto.
O medo também se reflete nesses corpos representados pelo pintor, mas o medo da opressão e da violência vivida em tempos onde o homem subjuga o próprio homem. Com isso, tem-se, nas obras, a imagem do grito, o grito de terror e de dor. A exposição se apresenta de forma intermidiática pois contém dentro de seu corpo
artístico o vídeo, a performance, a pintura, animação e a palavra. E funciona como um exercício político colocando em pauta o canibalismo cultural, a política de exceção e violência, e a ambição e descaso das grandes corporações com o aval do
Estado, o que gera a morte. O voto, o ex voto, o sufrágio e a democracia aliada ao estado de exceção. Corpos dóceis.
Assim, ao estabelecer nesta colagem, uma ligação da arte contemporânea com o cinema e a literatura, Araujo promove novas leituras, novos olhares e novas significações das imagens, importantes para o artista e para o expectador que por elas é atravessado. Andre sugere aos visitantes desenvolver infinitas interpretações ao acumular fragmentos, sequenciais ou não, e ressignificar as imagens, possibilitando que estas tenham sentidos variados, livre de definições e livre para interpretações.

 

Grupo 7- Casa Ocupada/ Ocupa Casa

GRUPO 7

A curadora de arte e pesquisadora Roseli Demercian (Loly), antes mesmo de aprofundar suas pesquisas para a elaboração da tese de doutorado, defendida com êxito no ano de 2017, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, já acreditava que as manifestações artísticas na atualidade são produzidas a partir de experimentações e do convívio entre artistas, com compartilhamento de seus ateliês, de suas vidas, possibilitando dessa forma uma criação, um novo modo de ver o mundo e um novo vocabulário para se redefinir ou reconfigurar aquilo que se acredita ser a real significação o verdadeiro sentido da arte contemporânea.

Como salienta HANS ULRICH OBRIST (2011, p.7)[1]:  […] o lado imaterial da experiência também se torna substância concreta do projeto artístico e, consequentemente, passível de curadoria. As conversas, os encontros e trocas reunidas, são materialização de um espaço expositivo reinventado e, portanto, um novo ponto de encontro com a arte.

Movida pelo desejo de desenvolver o projeto, Loly Demercian formou um grupo com sete artistas, que abraçaram a ideia de promover esses encontros com troca de experiências estéticas, a partir de ideias compartilhadas, que proporcionam a visualidade contemporânea num ambiente artístico e que expressam a liberdade com suas especificidades.

Como salientou Cecilia Salles:[2] […] discutir arte sob o ponto de vista de seu movimento criador é acreditar que a obra consiste em uma cadeia infinita de agregação de ideias, isto é, em uma série infinita de aproximações para atingi-la” ( SALLES, 2011, p.33).

Seguindo essa linha, os artistas a seguir nominados, que integram o “Grupo7” (Azeite de Leos, Ana Carmen Nogueira, Maurity Damy, Marietta Toledo, Milton Blaser, Raphaelle Faure–Vincent e Sueli Rojas), estarão ocupando a Casagaleria e Oficina de Arte, com um conjunto de trabalhos que emergiram das reflexões desses encontros, com a finalidade de mostrar, não exatamente o objeto final, mas aquilo que ele esconde, suas narrativas e manifestações, que possam ou não penetrar na estrutura do invisível. São manifestações do pensamento, apropriações, invenção de técnicas, memórias, deslocamento, pinturas, desenhos, esboços inacabados e novas possibilidades de ver o mundo por meio da arte.

Serviu também de inspiração para o presente projeto a lição de Silvia Meira[3], para quem a forma relacional da arte contemporânea demonstra que a prática artística caminhou para a criação de situações em experiência vivencial. Em outras palavras, as interações humanas configuram relações intersubjetivas de maneira a tornar a arte um lugar de encontro, de ligação e de convivência com o sensível.

Loly Demercian[4].


[1] OBRIST, Hans Ulrich. Entrevistas . volume 5 ( tradução Diogo Henriques…et alli.). Cobogó: Rio de Janeiro, 2011.
[2] SALLES, Cecilia Almeida. Gesto Inacabado (5a ed.). Intermeios, São Paulo, 2011.
[3] MEIRA, Silvia Miranda. A imagem moderna: um olhar. Belo Horizonte, C/arte editora, 2016, p.01.
[4] Graduação em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie Graduação em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, especialização no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo  e mestrado em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é membro do Grupo de Pesquisa em Comunicação e Criação nas Mídias (CCM) da PUC/SP, coordenado pela Prof. Dra. Lúcia Leão.  É curadora independente. Tem experiência na área de arte/educação, História da arte e curadoria, atuando principalmente nos seguintes temas: curadoria de arte, processos artísticos, arte contemporânea, novas mídias e filosofia contemporânea.  Realizou mais de 30 exposições de Arte e projetos culturais.

John Parker- The space between points

Sobre o artista

St Celfer (John Parker) é um artista multimídia atuante nos Estados Unidos. Bacharel em História pela Universidade de Princeton, com Mestrado em Pintura pela Universidade Estadual da Pensilvânia. O artista interessou-se pela arte suprematista de Maliévitch que o impulsionou a uma prática de ateliê bastante ativa. Estudou seus contemporâneos e viu que a arte russa sedimentava a arte do século XX.

A busca por um mundo mais espiritual e metafísico, incluindo a existência de outras dimensões, envolveu a pesquisa de John Parker que passou a se interessar por outros artistas da época,- Michael Vasilyevich Matyushin, pintor e compositor, um dos líderes do grupo dos futuristas russos, junto com sua esposa, Elena Guro. Essas motivações, junto às artes gráficas construtivas, inclusive a brasileira, ao pensamento do matemático Poincaré e à geometria não-euclidiana, como afirma John Parker, tecem suas pesquisas atuais.

Das pesquisas motivadas pela arte russa, John Parker agora pensa sobre as a soma dos pontos vividos e ligados à uma pré-história do visível, que se fazem e desfazem num movimento espiralado de percepções e dimensões. “Os artistas sempre foram cavaleiros, profestas e poetas do espaço de todas as eras”, – declaração de Matyushin que sugere que, depois de um longo hiato, “a quarta dimensão”pode estar em uma nova fase de irrupção no estado da criação.

Ao falar do seu trabalho, o artista diz, – “Ali me desmaterializo na parede dura com marcas. Crio um portal de acesso a dimensões sônicas para além da terceira dimensão, dirigindo essas fontes sonoras para os cantos do espaço, procurando reflexões de um tesseracto aural.”

“(…) O show combate a tirania do espaço por quebrar quadros impostos pelo poder, com o seu falso senso de ordem. Irá expor que progresso pode não ser o que nós pensamos que seria.” 

John Parker 1 está apresentando na Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian, a instalação The space between points, uma composição sonora com sub-trilhas; um componente de desenho performativo (marca semi- ritualística inspirada na noção de “quebrar o espaço” da artista Lygia Clark) completa a obra.


1 John Parker também estará em cartaz na exposição Memorial do Desenho. Museu de ArteContemporânea da USP, Av. Pedro Álvares Cabral, 1301, a partir do dia 29/06.

Milton Blaser- Impermanências

Milton Blaser iniciou sua trajetória na Unicentro Belas Artes (Faculdade de Belas Artes). Em paralelo cursou propaganda na ESPM. Seu primeiro contato com a Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian ocorreu em 2017.
Inicialmente, Milton produziu pinturas e desenhos com gestos enfatizando contornos e linhas, dando origem à série Seresbrasileiros seressurreais. As cores vibrantes de sua paleta são tão envolventes que geram uma peculiar sensação de volume e textura.
Dando continuidade ao seu processo criativo – mas agora tendo como foco os objetos do cotidiano – ele passou a experimentar tintas coloridas em vários suportes, criando autênticas metáforas que desafiam o espectador às mais variadas e inusitadas leituras visuais.
O artista alterou substancialmente a função do objeto trabalhado, demonstrando que entre coisas muito diferentes pode haver uma continuidade intensiva. É o que Deleuze denominava noção de agenciamento. Esse fenômeno pode ser identificado com muito vigor quando se observa que garrafas quebradas foram unidas como linhas abstratas e não-orgânicas, desconstruindo sua finalidade original. Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constante alteração, o apego representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos. O surgimento da realidade, muitas vezes, adia um caminho mais feliz que nos espera.
O gesto de quebrar a garrafa dá indícios de uma arte efêmera, levando-a para cenários diferentes, com suportes transitórios.
Há, ainda, uma evidente constatação da intencionalidade do artista de ter uma linguagem de impermanência da criação, quando se direciona para as monotipias e outros suportes, tais como os pisos cerâmicos. As formas originais perdem sua função e dão concreção a novas e infinitas potencialidades de ritmos, planos e composições. O resultado de todo esse processo será agora apresentado numa exposição solo na CasaGaleria, dia 26 de abril a 01 de junho de 2019

Loly Demercian

Sobre o artista

Milton Blaser
vive e trabalha em São Paulo. Graduado em artes plásticas pela Faculdade Belas Artes e em propaganda pela ESPM. Participa atualmente do grupo de acompanhamento de projetos com os artistas Carla Chaim, Nino Cais e Marcelo Amorim no Hermes Artes Visuais.

Em 2018 participou do ateliê de pintura de Ana Gentil e do grupo de estudos de produção de arte contemporânea com Paulo Miyada e Pedro França no Instituto Tomie Ohtake. Neste mesmo ano também participou, na CasaGaleria, da exposição CNT, Coletivo de Novos Artistas. Em 2016 participou da clínica de projetos do Ateliê 397 e fez acompanhamento de projetos com Regina Johas. Trabalhou no ateliê de pintura de Teresa Viana de 2013 a 2015. Fez suas individuais no Senac Jabaquara em 2018 e no Zeffiro Espaço de Arte em 2016. Participou de coletivas e 2019 na Galeria LAMBArts/ Hermes, 1° e 2° Festivais de Artes IA – Unesp e 25º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande. Em 2016 participou da Clínica Geral do Ateliê 397, VI Salão Internacional SINAP/AIAP, 30º Salão de Artes Plásticas de Arceburgo, 34º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro e 78°Salão de Artes Plásticas de Araras. Foi premiado em 2016 com medalha de ouro na categoria Pintura com o trabalho Monge no VI Salão Internacional SINAP/AIAP. Participa do grupo de estudos de Filosofia Contemporânea com o prof. Rogério da Costa, coordenador da pós-graduação de Comunicações e Semiótica da PUC – SP. Em 2017 cursou O Desenho e outros crimes do desejo – coordenado por Cadu – Carlos Eduardo da Costa Escola Entrópica – Instituto Tomie Ohtake – SP.

Ana Carmen Nogueira- Texturas da vida

ABERTURA: 15 DE MARÇO `AS 20h
EXPOSIÇÃO: 16 DE MARÇO A 20 DE ABRIL DE 2019

TEXTURAS DA VIDA
Eram 14 horas, num dia qualquer do verão. Entrei no ateliê da
artista Ana Carmen. Bateu um cheiro de mel misturado com vela;
uma sala com um espaço generoso para a circulação, uns setenta
metros quadrados, e paredes cobertas por obras de arte. Algumas
frestas escondiam um canto repleto de memórias de vida.
Nesse ambiente é impossível não se transportar para dentro dos
quadros, observando os detalhes dos céus azuis, das flores,
florestas, folhagens, autorretratos, momentos vividos, sonhados,
imaginados.
São suas visões de mundo, mas, paradoxalmente, não é o que ela
vê, mas como ela o percebe. Com as diferentes qualidades da
textura da encáustica, ela recria o fenômeno percebido no espaço
e nos transporta para dentro de seus devaneios, bem devagar,
envolvendo-nos com a luz, as cores e as texturas, escavando as
memórias do seu universo sensível.
Nessa atmosfera fiz a curadoria da exposição da artista Ana
Carmen Nogueira, que, no dia 15 de março de 2019, a partir das
19 horas, abrirá sua exposição solo na Casagaleria e Oficina de
Arte Loly Demercian.

Loly Demercian

Curso de Filosofia e Arte Contemporânea

Proposta: esse percurso se propõe introduzir os participantes no
pensamento de Gilles Deleuze através de seus trabalhos sobre arte,
cinema, teatro e literatura, bem como suas reflexões sobre o ato de
criação. Trata-se de uma abordagem voltada para artistas e
apreciadores das artes, com análise de conceitos como afeto,
sensação, emoção, sentimentos e perceptos. A linha de orientação
das discussões inclui, também, apresentações de filósofos como
Espinosa, Bergson e Foucault. Como metodologia, o projeto do
curso é de longa duração, com o participante podendo seguir as
discussões do curso de forma contínua ou intermitente.

  • Data de início: 14 de fevereiro de 2019
  • Horário: 20:00 hs às 22:00 hs
  • Rua Fradique Coutinho, 1216
  • Preço: R$ 250,00
  • Formas de pagamento: dinheiro ou cartão de crédito

Autor: Prof. Dr. Rogério da Costa, filósofo, Doutor em Filosofia pela
Universidade Sorbonne-Paris IV, estudou com Deleuze em 1987,
frequentou os seminários de Félix Guattari e Antonio Negri nos anos
de 1987, 1991-1992. Atualmente é Coordenador do curso de Pós
Graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP.

Lucas Gervilla- Abandonamento Brasil/ Rússia

Abandonamento: re(ocupando) lugares através de intervenções audiovisuais é uma pesquisa, tanto prática, quanto teórica, a partir de um trabalho artístico que desenvolvo desde 2013, chamado “Abandonamento”, no qual realizo intervenções temporárias, através de projeções audiovisuais, em locais abandonados pré-definidos; o trabalho tem, portanto, características site-specific.
Durante a realização da presente pesquisa, produzirei uma nova etapa de “Abandonamento”, que será apresentada ao público através de uma exposição entre os meses de fevereiro e março de 2019. A parte teórica da pesquisa irá abordar as diferentes relações do artista com o local onde sua obra é realizada em acordo com o conceito de site-specific. Irei me embasar no pensamento de autores como Miwon Kwon, Nick Kaye, Hal Foster, Marion Segaud, Douglas Crimp, Philippe Dubois, Marc Augé, entre outros. Como referências artísticas, usarei os trabalhos de artistas como o polonês Krzysztof Wodiczko e o brasileiro Lucas Bambozzi.
Ambas as etapas acontecerão em paralelo, enquadrando o projeto na linha de pesquisa Processos e Procedimentos Artísticos, do Instituto de Artes da UNESP.
Escada Vorobyovy Gory
CPTM

Abandonamento: re(ocupando) lugares através de intervenções audiovisuais é uma pesquisa, tanto prática, quanto teórica, a partir de um trabalho artístico que desenvolve desde 2013, chamado “Abandonamento”, no qual realiza intervenções temporárias, através de projeções audiovisuais, em locais abandonados pré-definidos; o trabalho tem, portanto, características site-specific.
Durante a realização da presente pesquisa, produzirá uma nova etapa de “Abandonamento”, que será apresentada ao público através de uma exposição entre o mês de fevereiro de 2019. A parte teórica da pesquisa irá abordar as diferentes relações do artista com o local onde sua obra é realizada em acordo com o conceito de site-specific. Embasou-se no pensamento de autores como Miwon Kwon, Nick Kaye, Hal Foster, Marion Segaud, Douglas Crimp, Philippe Dubois, Marc Augé, entre outros. Como referências artísticas, usarei os trabalhos de artistas como o polonês Krzysztof Wodiczko e o brasileiro Lucas Bambozzi.
Ambas as etapas acontecerão em paralelo, enquadrando o projeto na linha de pesquisa Processos e Procedimentos Artísticos, do Instituto de Artes da UNESP.