Revista Virtual da Casagaleria.

Na edição nº 2 de nossa revista a pauta será “o Feminino”, visto não como metáfora, mas como metonímia, ou seja, quando a parte é mais importante do que o todo. O estudo das partes como forma de exercitar e
refletir o olhar para o outro, uma abertura para novas perspectivas e o questionamento de como lidamos com as mil formas de “ser mulher”; a alteridade como estado de abertura no campo de percepção. […]

Exposição Afetos em Paisagens

https://tour.casagaleria.com.br/afeto/

O tempo tem memória?
As percepções do cotidiano passam com tanta velocidade que se dispersam em nosso olhar; passam sobre as coisas, e tudo se torna autômato. Qual paisagem teria nossa memória num mundo onde o tempo social é acelerado? Qual é a perspectiva das coisas que tem o nosso olhar? O que percebemos e o que nos está afetando?
Bergson, quando fala em perceber as coisas, diz que mesmo quando o objeto não mais existe naquele lugar, não é o vazio ou o nada e sim a ausência de tal objeto, o qual esteve aqui antes mas se acha agora em outro lugar. Ele deixa atrás de si o próprio vazio. O que ficaria nessa memória, senão o afeto? O tempo é uma ilusão, sua memória são nossas lembranças que se desdobram de modo involuntário. Nós somos a memória, vivemos da memória. O afeto, faz dessa exposição um deslocamento de paisagens que estabelece como núcleo da narrativa; a materialização por meio das vivências e das histórias singulares das artistas. A própria existência como processo e a metáfora como forma de conexão com o mundo.
A artista Ieda Mercês, com o trabalho “Do real à ideia: paisagem invisível” (2019/2020), reflete um estado de espirito onírico, uma autêntica embriaguez dos sentidos. De longe, vê-se uma profunda vermelhidão, denotando um vulcão ardente. Como ela mesmo diz: […] um estudo que vislumbra cenários ocultos a partir de uma geografia da ilusão. Suas memórias se manifestam como um diálogo com sua imaginação, uma paisagem do invisível.
A artista Maria Fernanda Lopes, com o trabalho “Risco, 2020”, brinca com essa paisagem imaginária, porque ela parte para uma desterritorialização do desenho, das linhas, dos planos e se expande para os conceitos da escultura, projetando uma certa animação no espaço, pois o nosso olhar em ângulos diferentes, as linhas e os planos se transformam em outros desenhos espaciais, redimensionando o lugar, articulando os fios estendidos em novas composições. Temos um quadrado preto de papel colado na parede, dando a impressão de que estamos vendo um desenho em uma superfície, mas, na verdade, esse mesmo desenho está no espaço.
Uma desconstrução do desenho como o entendemos. A composição das linhas contrasta com a parede, elas se projetam como sombras, uma estrutura paralela à parede. Tais estruturas habitam um vazio. Ela brinca com o tempo e a memória, porque as linhas constroem modulações espaciais diferentes ao trajeto do observador. Uma arquitetura que não fixa domicílio, porque a toda hora está mudando, permanecendo na memória de quem a percebeu.
Seguindo essa linha do imaginário, das paisagens invisíveis, a artista Simone Prado, com os trabalhos, “Caixa aberta, 2014 e Escova de aço, 2014”, associa a força da mulher com a vagina, que denota uma sexualidade no processo do imaginário. Em caixa aberta, a vagina é feita de veludo preto com uma escultura de Rodin, o Pensador dentro dela. O veludo preto lembra ousadia, delicadeza, símbolo da sensualidade, mas no meio uma escultura branca, uma brincadeira da artista, que tem uma conotação da inteligência, que a vagina tem poder.
Segundo Deleuze, uma potência, como agenciamento do desejo. Ela também insere no trabalho nove escovas de aço, amassadas no meio, em forma de vagina, estabelecendo uma verdadeira antinomia com a delicadeza. As noves escovas significam os meses de gravidez, nada sensual, e sim a força da mulher em parir, de dar à luz, de procriar.
A artista visual e performer Rapha Dutra, por sua vez, nos trás quatro fotografias no seu trabalho: “Meu Afogamento é o meu batismo” e “Corpo- intercessão”. O conceito das fotos e seu processo artístico destacam trechos do seu processo de vivência corpo e gênero. Nas fotos do “Meu afogamento é o meu batismo”, ela poderia estar viva, mas não estava vivendo, é uma singularidade da artista de traçar representações estéticas da feminilidade na incessante busca de ressignificar o conceito de feminilidade dentro da cisnormativa. O segundo trabalho é uma metáfora acerca de experiências de autoconhecimento através da sexualidade. Qual proporção terão meus órgãos sexuais a partir do momento em que os costuro, tampo, tiro do contexto? No que eles se tornam? Quando nos valemos de parâmetros cis para identificarmos um gênero, estamos centrados no binarismo (homem/mulher pênis/vagina), no entanto ao efetivar a costura essas denominações são elididas. Esse trabalho discute a cisnormatização do gênero masculino e do gênero feminino através do aparato biológico. Para artista, o reconhecimento de gênero resultaria não de um instante, tal como a experiência biológica, mas de um longo processo de conhecimento de si corpo-inteiro.
A artista Marcia Gadioli, na série “Memoriar”, usando papel de restauro, transfere imagens referentes à convivência pessoal, em camadas e mais camadas, representando o tempo. Essas mesmas camadas diluem as imagens, por estarem sobrepostas ou terem pouca definição, representando o estado de memória, a deriva urbana.
A artista Nádia Starikoff, nos presenteia com jardins da série “Cápsulas”, carregadas de emoções nas quais foram encapsulados memórias, numa dinâmica inconsciente “entre os nós, e entre nós”.
Marietta Toledo, nos apresenta trabalhos atuais e antigos. Os atuais “Estampas em Amarelo de Santana, 2020 e Pelúcia Branca da Barra Funda, 2020”, ela pesquisa e experimenta na tapeçaria as texturas, cores, volumes e formas. Essa técnica é carregada de ancestralidade e, ao mesmo tempo, desperta o frescor da contemporaneidade. Ela se utiliza da talagarça para bordar, bem como da escultura de tecidos para experimentar os volumes em formas orgânicas. Já os trabalhos realizados em 2018 e 2019, inspirados em sua avó, o tricô e crochê, uma prática manual ensinada nas escolas da década de 70, e culturalmente ensinada de avó para mãe – e assim de geração em geração – Marietta procurou tornar contemporâneas essas práticas, trazendo em forma de escultura e pinturas feita de crochê.
E, por fim, a artista Ana Carmen Nogueira, em seus trabalhos de encáustica, “Tempo da Delicadeza, 2020”, apresenta um recorte de imagens de mulheres de sua vida, que de alguma forma foram importantes no seu crescimento e participaram de momentos do seu dia a dia. Olhando para o passado, com essas memórias de vida, percebeu que o tempo passou e ela se descobriu madura. Percebeu a poesia nos gestos das fotografias e as eternizou na encáustica.
Como diz Deleuze, o problema não é o de uma presença de corpos, mas o de uma crença capaz de nos devolver o mundo e o corpo a partir do que significa sua ausência. Dessa forma se descortina a presente exposição.

Loly Demercian

Exposição Ecos do Efêmero

TOUR VIRTUAL>>>

A exposição Ecos do Efêmero foi produzida a partir de experimentações e do convívio entre artistas, compartilhando seus ateliês, de suas vidas, possibilitando dessa forma a materialização de um novo fazer, uma nova forma de significação da arte contemporânea. Dessa forma, foi possível concretizar e realizar uma curadoria e, consequentemente uma exposição. Em razão da pandemia, essa experiência, no campo expositivo, não será possível . Optamos por tanto, pelo tour virtual, de modo a dar continuidade a difusão da experiência artística e mediação da experiência social. Como salienta Walter Benjamin, uma obra deve seguir sua reflexão infinita, mediante o experimento do outrem. Com base em nossas reflexões anteriores, consideramos ser o experimento um alargamento, um reforço multiplicador do objeto e o ato de observá-lo resulta conhecimento.

Acesse o Link para visitação:
https://oficinasculturais.org.br/efemero/


SOBRE A EXPOSIÇÃO E SUAS OFICINAS >>>

Pautada em experiências efêmeras do cotidiano, a curadora Loly Demercian apresenta coletiva do Grupo 7+, trazendo a público a produção de 11 artistas expoentes.

Na exposição “Ecos do Efêmero”, a curadora Loly Demercian (CasaGaleria e Oficina de Arte) questiona a potência do efêmero na contemporaneidade, traçando uma linha narrativa por meio de diálogos entre práticas artísticas e processos criativos, a fim de alçar a emergência de novas configurações imagéticas no horizonte dos significados. O resultado deste trabalho ganha corpo a partir de experiências estéticas coletadas nos últimos três anos das pesquisas individuais desenvolvidas pelos artistas do Grupo 7+, compartilhadas agora com o público através dos processos e das práticas artísticas que serão apresentados presencialmente e virtualmente, integrando a programação que celebra a reabertura da Oficina Cultural Oswald de Andrade para o público. A concepção curatorial foi construída sobre um tripé expográfico: pictórico, conceitual e tecnológico. Tratase de uma reflexão sobre a arte contemporânea do séc. XXI e seus processos significativos. Das mudanças provocadas no olhar, no que diz respeito a novas temporalidades e às formas de ocupação do espaço, enfatizando diálogos entre materialidade e ambiente no campo da experiência. O projeto “Ecos do Efêmero” foi concebido por Loly Demercian e produzido por Vanessa Lopes. Os artistas que integram a coletiva são: Ana Carmen Nogueira, Antonio Cavalcante, Azeite de Leos, Lucas Gervilla, Mariane Cavalheiro, Marietta Toledo, Maurity Damy, Milton Blaser, Raphaelle FaureVincent, Rodrigo Gontijo e Sueli Rojas. A abertura da exposição acontece no dia 15 de setembro (terçafeira), permanecendo em exibição até o dia 14 de novembro (sextafeira). Como medidas de segurança, o número de pessoas será limitado e o percurso da galeria será orientado de forma a garantir o distanciamento social necessário, de acordo com os protocolos sanitários vigentes para a realização de atividades culturais. Para maior comodidade, as visitas poderão ser previamente agendadas com hora marcada. Além do formato do presencial, o público também terá a oportunidade de conhecer as obras através de um tour virtual 360º, que ficará disponível no site da Oswald durante todo o período de visitação.

Todos os sábados, às 11h, acontecem lives no perfil do Instagram @oficinaoswald, com visitas guiadas pelos artistas que integram a coletiva. Nas quarta-feiras do mês de outubro, sempre das 14h às 16h , serão transmitidas pelo canal Oficinas Culturais do Estado de São Paulo, do Youtube, as oficinas virtuais: “Descobrindo a Pintura Encáustica” (07/10) , com Ana Carmen Nogueira; “Práticas Criativas para Desenho e Pintura” (14/10), com Marietta Toledo e Antonio Cavalcante; “Iniciação a fotogravura método xerox” (21/10) , com Raphaelle FaureVincent; e “Documentários em Vídeo Digital” (28/10) , com Lucas Gervilla. “Ecos do Efêmero” foi contemplado pelo Edital ProAC 10/2019 “Produção de Exposições de Artes Visuais”, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. As atividades culturais oferecidas neste projeto passaram por um processo de reinvenção, buscando por novos formatos que pudessem atender as demandas do atual contexto de reabertura póspandemia.

Frestas, Fendas e Impermanência

Azeite de Leos/ Otavio Zani

https://tour.casagaleria.com.br/frestas/


Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian traz ao público, no mês de julho, duas grandes novidades que estão em consonância com o que há de mais atual em artes visuais, quais sejam: uma revista virtual e exposição virtual em 3D.
A revista, na plataforma Issuu, facilita o acesso aos novo rumos da arte contemporânea para estudiosos do tema, apreciadores, compradores e colecionadores. Ela trará artigos ligados às artes em geral, textos críticos e as trajetórias e pensamentos poéticos de diversos artistas, que motivam a investigação sobre a materialização do espaço expositivo, com a reinvenção de um novo ponto de encontro com a arte, estabelecendo critérios relacionais e comunicacionais, cujos conceitos propiciarão uma nova visão de pesquisa decorrente da junção entre o novo e o velho, por meio da experiência do real, com a compreensão do processo de construção criativa da experiência desses mesmos artistas e curadores de arte.
Para tanto, contaremos também com a preciosa colaboração de diversos e renomados profissionais que dedicam sua vida ao estudo e implementação da arte contemporânea.
Nessa sua primeira edição, a publicação apresentará a exposição virtual Julho na Casagaleria, com os artistas Azeite de Leos e Otavio Zani. Contaremos com texto das curadoras Carmen Aranha e Loly Demercian, assim como textos de amigos falando sobre os artistas que apresentam suas séries.
Azeite De Leos apresenta os trabalhos da série ”Pella“, de 2019 e 2020, consubstanciados na metáfora de escavações retiradas de uma cidade que se modifica e deixa, na sua percepção, camadas depositadas em telas que procuram apreender os instantes da memória.
Otávio Zani apresenta os trabalhos da série “Fresta, Fenda e Impermanência”, de 2019 e 2020. São percursos do
esquecimento essencial que, uma vez intensificados por uma luz, um odor, um gesto, projetam-se em visualidades nos materiais e procedimentos da impressão gráfica.
Para a efetivação da exposição em 3D, contamos com Sergio Venâncio, que cuidará do serviço de Tour Virtual 360º, envolvendo a produção e publicação de ambiente online, onde o visitante poderá navegar por uma simulação do espaço da Casagaleria, produzido por meio de fotografias 360º e tecnologia Marzipano.

Transitórios- Simone Fonseca


Simone Fonseca nasceu em Sete Lagos, MG, mas vive e trabalha em São
Paulo, Capital. Formada em Educação Artística pela FAAP/SP, foi professora de desenho, artes visuais e hoje se dedica à sua produção artística.
Frequenta o ateliê do Instituto Tomie Ohtake, com orientação de Paulo Pasta, foi integrante do Grupo Pigmento.
Seguindo o fluxo natural de sua carreira artística, expôs em vários espaços e instituições. Vale destacar sua participação na Casa Cultural do Butantã (SP), na coletiva do Ateliê PIPA e na IV Bienal de Roma, Museu da Arte de Ribeirão Preto, Salão Piracicaba e Salão de Vinhedo. Além disso foi premiada na 28º Salão de Artes Plásticas de Embu das Artes, dentre outros.
No dia 14 de março, na Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian, apresentará uma nova produção, resultante de uma intensa pesquisa em relação ao espaço e as formas, criando-se possíveis correlações que se aproximam da abstração. O olhar movimenta-se à procura de uma arqueologia de formas soltas, fragmentadas e coloridas, que, algumas vezes juntas e outras isoladas lançam-se num espaço matérico .
Em suas pinturas as formas nunca são fechadas e criam-se situações de transitório, de formas passageiras, a espera de outra coisa. As cifras da vida são diagramadas em colagens, tintas e cores. Sua produção se inicia com colagens fragmentadas, à disposição das cores, formas e paisagens extraídas de sua memória.
Como ela própria faz questão de destacar […] as colagens são apenas o ponto de partida para as pinturas, pois uma vez iniciado o trabalho, este vai acontecendo com liberdade e autonomia de pintura, afastando o modelo e guardando apenas a estrutura que gerou a escolha .
Usando neutrol, látex e tinta acrílica, suas pinturas criam vida própria; formatando-as com massas de cor e pinceladas livres, ela mantêm os elementos desproporcionais. São memórias detidas no espaço, com toques fragmentados e espalhados na planície da tela, sem apego pela paisagem. É lícito afirmar, nesse contexto, que as paisagens imaginárias de Simone são Metapaisagens , ou seja, um mergulho fundo da pintura, dando-lhe ênfase na superfície. No entanto, ao mesmo tempo – e paradoxalmente –, muita coisa permanece por baixo dela. O transitório das coisas não pode existir e não pode se resumir a uma forma, pois estará à espera de diferentes e múltiplas dimensões criativas.


Loly Demercian

De-Construcciones Urbanas

“De-Construcciones Urbanas” é uma mostra coletiva da qual fazem parte os artistas Rodrigo Gontijo, Lucas Gervilla, Pablo Dewin Reyes Maulin e o fotógrafo Moacyr Pereira (1932-2014).
São pesquisas sobre o campo da paisagem suspensa pelo tempo e pelo espaço. Trata-se da perda de um lugar na contemporaneidade; sobre as construções e desconstruções que fazemos da nossa memória cultural, afetiva e de pertencimento.
As memórias são formas de vida, ou seja, potencialidades que se encontram em qualquer espaço no qual possa se mover um indivíduo, que, nesse sentido, é uma espécie de “ecossistema”, que negocia as histórias à sua volta e em seu interior.
Rodrigo Gontijo apresentará duas instalações: “Sobre Desejos e Soletudes” (2019) e “Corte Seco” (2018). Esses trabalhos discutem experiências no campo da dinâmica urbana e suas consequências no cotidiano, além de estabelecerem suas relações com a ecologia e pulsações da vida: uma metáfora sobre a vida e a morte.
Lucas Gervilla apresenta um vídeo intitulado “Família” (2017). Cuida-se de trabalho realizado na Rússia, num projeto em parceria com dois artistas locais (Dasha Delone e Dima Goryachkin). A gravação traduz o que estamos vivendo hoje, tanto na política como na cultura, uma analogia da roda, do círculo, onde constantemente nos esquecemos das experiências de gerações passadas, repetindo, assim, seus erros.
O artista cubano Pablo Dewin Reyes Maulin integrará a exposição com fotografias (“De-Contrucciones Urbanas”, 2018). Refugiado no Canadá ele eterniza em seu olhar, por meio da lente fotográfica, a agonia em ver sua cidade, Havana, ser destruída pelo tempo e pela ganância imobiliária e turística.
Traz na memória afetiva e histórica aquela que foi uma das cidades mais desenvolvidas da América Latina ser destruída ou esquecida. A arquitetura é a memória ou a geografia, onde nos identificamos, lá ficam nosso imaginário.
Por fim, estaremos homenageando o fotógrafo Moacyr Pereira ( 1932-2014), fotógrafo andarilho, sempre na companhia da sua câmera fotográfica, que registrou demolições na cidade de São Paulo. Será apresentada a implosão do Edifico Wilson Mendes Caldeira, um dos maiores prédios da Cidade de São Paulo durante a década de 60. Foi implodido e demolido para dar lugar à construção da estação do metrô da Praça da Sé. À época, deu-se o mesmo destino ao conhecido palacete Santa Helena (que era ocupado por artistas conhecidos como “Grupo Santelena” ou “Santelenistas”), que se situava ao lado do edifício Mendes Caldeira, ambos representavam em São Paulo a contemporaneidade.

Loly Demercian

CNT 2019- Coletiva de Novos Talentos

A Casagaleria e Oficina de Arte – Loly Demercian desde a sua fundação, há 16 anos, vem procurando investigar e questionar as diversas práticas em artes visuais.
A experiência adquirida ao longo desses anos facilitou a compreensão das práticas de curadoria. É fundamental para tal desiderato a compreensão e intelecção dos discursos dos artistas e a sua intenção em relação ao objeto, mas sem incorrer no vício ou no equívoco do reducionismo de um único caminho a ser questionado. Procuramos ampliar esse olhar e o entendimento no processo artístico.
Nessa codificação de diferentes percepções do objeto é que está configurada a construção da linguagem visual: o objeto percebido. A arte, nisso tudo, situa-se na metalinguagem e só torna-se significativa quando o sujeito é provocado.
Para que isso aconteça, ela tem que ser apreciada, olhada, sentida, percebida no espaço em relação ao tempo da experiência estética, não importando onde ele esteja (se nas mídias digitais ou qualquer outro lugar do espaço).
Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian, portanto, formula um convite para conhecer esses artistas. Selecionamos 20 artistas, numa coletiva de novos artistas, que abriremos no dia 13 às 17 h , a segunda edição. Têm como objetivo , estabelecer uma discussão imediata com o objeto e que seja envolvido no processo de significações da obra, isto é, além de perceber a relação espaço/tempo, ele deve habitá-lo.

Artistas : Ana Carmen Nogueira, Alessandra Mastrogiovanni , Andre Araujo, Antônio Cavalcanti, Azeite de Leos, Cipriano Souza, Eliane Gallo, Everson Fonseca, John Parker, Kika Goldstein, Lucas Gervilla, Márcia dos Santos, Marietta Toledo, Milton Blaser, Maurity Damy, Nádia Starikoff, Nemviptk, Otávio Zani, Raphaelle Faure-V, Rodrigo Gontijo, Sueli Rojas.

-Loly Demercian

Everson Fonseca- Anima


Sobre o Artista –

Era o mês de julho, um dia frio, as ruas estavam vazias, tarde da noite, vinha de uma curadoria ali perto, toquei a campainha, era o Everson, abriu a porta de sua casa/ateliê, batia cheiro de tinta óleo, deparei-me com um lustre enorme de cristal e uma escadaria de madeira. A cada lance de escada ela criava vida a ponto de ranger, as paredes cheias de trabalhos dele e de amigos.
A partir de então comecei a entender os trabalhos do Everson: era só ir ao seu espaço de produção para entender seu universo criador, no qual a imaginação corre solta por todos os lados que olhamos. Até mesmo o banheiro, com uma banheira antiga, ornamentos do estilo rococó, cortinas esvoaçantes, parecendo um mundo encantado. O tempo nesse espaço não existe.
Inverno e silêncio. Menos na casa/ateliê de Everson. Vinho, uva, sementes secas, sorrisos, alegrias, um verdadeiro mundo de Baco, mais conhecido como Dionizio, deus do vinho, uma figura boêmia e festiva.  Sua casa estava cheia de amigos no andar debaixo. Uma cozinha difícil de entrar – onde provavelmente esconde suas poções mágicas – e um terraço de entretenimento, com cadeiras longas, sofás, pufes, livros. Esse é o verdadeiro “mundo de Everson”.
Essa magia se reflete diretamente nos seus trabalhos plásticos, tal como nos personagens de Lewis Carrol. Trata-se de em mundo repleto de animais e objetos antropomórficos, que ele retrata como seres humanos.
Suas pinturas são extremamente detalhistas, tal como os artistas clássicos do século XVI, mais especificamente os artistas que faziam natureza morta.  Everson, no entanto, criou seu gênero artístico.
Dando vida a objetos inanimados, tudo se torna composição de seus retratos, misturando tecidos, animais, pessoas imaginadas, numa riqueza de detalhes nos ornamentos e alegorias. Sua paleta com cores vivas, brilhantes e vibrantes, é carregada de histórias.
Everson Fonseca irá nos presentear com dezenove trabalhos numa exposição solo ANIMA,  na Casagaleria e oficina de arte Loly Demercian no dia 22 de novembro a 21 de dezembro de 2019. Anima em latim significa natureza divina, alma, o princípio de todo ser vivo, e, no vernáculo, significa também vida, brincadeira e alegria.

Loly Demercian


Curadoria e texto critico: Loly Demercian