John Parker- The space between points

Sobre o artista

St Celfer (John Parker) é um artista multimídia atuante nos Estados Unidos. Bacharel em História pela Universidade de Princeton, com Mestrado em Pintura pela Universidade Estadual da Pensilvânia. O artista interessou-se pela arte suprematista de Maliévitch que o impulsionou a uma prática de ateliê bastante ativa. Estudou seus contemporâneos e viu que a arte russa sedimentava a arte do século XX.

A busca por um mundo mais espiritual e metafísico, incluindo a existência de outras dimensões, envolveu a pesquisa de John Parker que passou a se interessar por outros artistas da época,- Michael Vasilyevich Matyushin, pintor e compositor, um dos líderes do grupo dos futuristas russos, junto com sua esposa, Elena Guro. Essas motivações, junto às artes gráficas construtivas, inclusive a brasileira, ao pensamento do matemático Poincaré e à geometria não-euclidiana, como afirma John Parker, tecem suas pesquisas atuais.

Das pesquisas motivadas pela arte russa, John Parker agora pensa sobre as a soma dos pontos vividos e ligados à uma pré-história do visível, que se fazem e desfazem num movimento espiralado de percepções e dimensões. “Os artistas sempre foram cavaleiros, profestas e poetas do espaço de todas as eras”, – declaração de Matyushin que sugere que, depois de um longo hiato, “a quarta dimensão”pode estar em uma nova fase de irrupção no estado da criação.

Ao falar do seu trabalho, o artista diz, – “Ali me desmaterializo na parede dura com marcas. Crio um portal de acesso a dimensões sônicas para além da terceira dimensão, dirigindo essas fontes sonoras para os cantos do espaço, procurando reflexões de um tesseracto aural.”

“(…) O show combate a tirania do espaço por quebrar quadros impostos pelo poder, com o seu falso senso de ordem. Irá expor que progresso pode não ser o que nós pensamos que seria.” 

John Parker 1 está apresentando na Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian, a instalação The space between points, uma composição sonora com sub-trilhas; um componente de desenho performativo (marca semi- ritualística inspirada na noção de “quebrar o espaço” da artista Lygia Clark) completa a obra.


1 John Parker também estará em cartaz na exposição Memorial do Desenho. Museu de ArteContemporânea da USP, Av. Pedro Álvares Cabral, 1301, a partir do dia 29/06.

Milton Blaser- Impermanências

Milton Blaser iniciou sua trajetória na Unicentro Belas Artes (Faculdade de Belas Artes). Em paralelo cursou propaganda na ESPM. Seu primeiro contato com a Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian ocorreu em 2017.
Inicialmente, Milton produziu pinturas e desenhos com gestos enfatizando contornos e linhas, dando origem à série Seresbrasileiros seressurreais. As cores vibrantes de sua paleta são tão envolventes que geram uma peculiar sensação de volume e textura.
Dando continuidade ao seu processo criativo – mas agora tendo como foco os objetos do cotidiano – ele passou a experimentar tintas coloridas em vários suportes, criando autênticas metáforas que desafiam o espectador às mais variadas e inusitadas leituras visuais.
O artista alterou substancialmente a função do objeto trabalhado, demonstrando que entre coisas muito diferentes pode haver uma continuidade intensiva. É o que Deleuze denominava noção de agenciamento. Esse fenômeno pode ser identificado com muito vigor quando se observa que garrafas quebradas foram unidas como linhas abstratas e não-orgânicas, desconstruindo sua finalidade original. Considerando-se a impermanência de tudo, em um mundo em constante alteração, o apego representa a ilusão para deter a marcha dos acontecimentos. O surgimento da realidade, muitas vezes, adia um caminho mais feliz que nos espera.
O gesto de quebrar a garrafa dá indícios de uma arte efêmera, levando-a para cenários diferentes, com suportes transitórios.
Há, ainda, uma evidente constatação da intencionalidade do artista de ter uma linguagem de impermanência da criação, quando se direciona para as monotipias e outros suportes, tais como os pisos cerâmicos. As formas originais perdem sua função e dão concreção a novas e infinitas potencialidades de ritmos, planos e composições. O resultado de todo esse processo será agora apresentado numa exposição solo na CasaGaleria, dia 26 de abril a 01 de junho de 2019

Loly Demercian

Sobre o artista

Milton Blaser
vive e trabalha em São Paulo. Graduado em artes plásticas pela Faculdade Belas Artes e em propaganda pela ESPM. Participa atualmente do grupo de acompanhamento de projetos com os artistas Carla Chaim, Nino Cais e Marcelo Amorim no Hermes Artes Visuais.

Em 2018 participou do ateliê de pintura de Ana Gentil e do grupo de estudos de produção de arte contemporânea com Paulo Miyada e Pedro França no Instituto Tomie Ohtake. Neste mesmo ano também participou, na CasaGaleria, da exposição CNT, Coletivo de Novos Artistas. Em 2016 participou da clínica de projetos do Ateliê 397 e fez acompanhamento de projetos com Regina Johas. Trabalhou no ateliê de pintura de Teresa Viana de 2013 a 2015. Fez suas individuais no Senac Jabaquara em 2018 e no Zeffiro Espaço de Arte em 2016. Participou de coletivas e 2019 na Galeria LAMBArts/ Hermes, 1° e 2° Festivais de Artes IA – Unesp e 25º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande. Em 2016 participou da Clínica Geral do Ateliê 397, VI Salão Internacional SINAP/AIAP, 30º Salão de Artes Plásticas de Arceburgo, 34º Salão de Artes Plásticas de Rio Claro e 78°Salão de Artes Plásticas de Araras. Foi premiado em 2016 com medalha de ouro na categoria Pintura com o trabalho Monge no VI Salão Internacional SINAP/AIAP. Participa do grupo de estudos de Filosofia Contemporânea com o prof. Rogério da Costa, coordenador da pós-graduação de Comunicações e Semiótica da PUC – SP. Em 2017 cursou O Desenho e outros crimes do desejo – coordenado por Cadu – Carlos Eduardo da Costa Escola Entrópica – Instituto Tomie Ohtake – SP.

Ana Carmen Nogueira- Texturas da vida

ABERTURA: 15 DE MARÇO `AS 20h
EXPOSIÇÃO: 16 DE MARÇO A 20 DE ABRIL DE 2019

TEXTURAS DA VIDA
Eram 14 horas, num dia qualquer do verão. Entrei no ateliê da
artista Ana Carmen. Bateu um cheiro de mel misturado com vela;
uma sala com um espaço generoso para a circulação, uns setenta
metros quadrados, e paredes cobertas por obras de arte. Algumas
frestas escondiam um canto repleto de memórias de vida.
Nesse ambiente é impossível não se transportar para dentro dos
quadros, observando os detalhes dos céus azuis, das flores,
florestas, folhagens, autorretratos, momentos vividos, sonhados,
imaginados.
São suas visões de mundo, mas, paradoxalmente, não é o que ela
vê, mas como ela o percebe. Com as diferentes qualidades da
textura da encáustica, ela recria o fenômeno percebido no espaço
e nos transporta para dentro de seus devaneios, bem devagar,
envolvendo-nos com a luz, as cores e as texturas, escavando as
memórias do seu universo sensível.
Nessa atmosfera fiz a curadoria da exposição da artista Ana
Carmen Nogueira, que, no dia 15 de março de 2019, a partir das
19 horas, abrirá sua exposição solo na Casagaleria e Oficina de
Arte Loly Demercian.

Loly Demercian

Curso de Filosofia e Arte Contemporânea

Proposta: esse percurso se propõe introduzir os participantes no
pensamento de Gilles Deleuze através de seus trabalhos sobre arte,
cinema, teatro e literatura, bem como suas reflexões sobre o ato de
criação. Trata-se de uma abordagem voltada para artistas e
apreciadores das artes, com análise de conceitos como afeto,
sensação, emoção, sentimentos e perceptos. A linha de orientação
das discussões inclui, também, apresentações de filósofos como
Espinosa, Bergson e Foucault. Como metodologia, o projeto do
curso é de longa duração, com o participante podendo seguir as
discussões do curso de forma contínua ou intermitente.

  • Data de início: 14 de fevereiro de 2019
  • Horário: 20:00 hs às 22:00 hs
  • Rua Fradique Coutinho, 1216
  • Preço: R$ 250,00
  • Formas de pagamento: dinheiro ou cartão de crédito

Autor: Prof. Dr. Rogério da Costa, filósofo, Doutor em Filosofia pela
Universidade Sorbonne-Paris IV, estudou com Deleuze em 1987,
frequentou os seminários de Félix Guattari e Antonio Negri nos anos
de 1987, 1991-1992. Atualmente é Coordenador do curso de Pós
Graduação em Comunicação e Semiótica da PUCSP.

Lucas Gervilla- Abandonamento Brasil/ Rússia

Abandonamento: re(ocupando) lugares através de intervenções audiovisuais é uma pesquisa, tanto prática, quanto teórica, a partir de um trabalho artístico que desenvolvo desde 2013, chamado “Abandonamento”, no qual realizo intervenções temporárias, através de projeções audiovisuais, em locais abandonados pré-definidos; o trabalho tem, portanto, características site-specific.
Durante a realização da presente pesquisa, produzirei uma nova etapa de “Abandonamento”, que será apresentada ao público através de uma exposição entre os meses de fevereiro e março de 2019. A parte teórica da pesquisa irá abordar as diferentes relações do artista com o local onde sua obra é realizada em acordo com o conceito de site-specific. Irei me embasar no pensamento de autores como Miwon Kwon, Nick Kaye, Hal Foster, Marion Segaud, Douglas Crimp, Philippe Dubois, Marc Augé, entre outros. Como referências artísticas, usarei os trabalhos de artistas como o polonês Krzysztof Wodiczko e o brasileiro Lucas Bambozzi.
Ambas as etapas acontecerão em paralelo, enquadrando o projeto na linha de pesquisa Processos e Procedimentos Artísticos, do Instituto de Artes da UNESP.
Escada Vorobyovy Gory
CPTM

Abandonamento: re(ocupando) lugares através de intervenções audiovisuais é uma pesquisa, tanto prática, quanto teórica, a partir de um trabalho artístico que desenvolve desde 2013, chamado “Abandonamento”, no qual realiza intervenções temporárias, através de projeções audiovisuais, em locais abandonados pré-definidos; o trabalho tem, portanto, características site-specific.
Durante a realização da presente pesquisa, produzirá uma nova etapa de “Abandonamento”, que será apresentada ao público através de uma exposição entre o mês de fevereiro de 2019. A parte teórica da pesquisa irá abordar as diferentes relações do artista com o local onde sua obra é realizada em acordo com o conceito de site-specific. Embasou-se no pensamento de autores como Miwon Kwon, Nick Kaye, Hal Foster, Marion Segaud, Douglas Crimp, Philippe Dubois, Marc Augé, entre outros. Como referências artísticas, usarei os trabalhos de artistas como o polonês Krzysztof Wodiczko e o brasileiro Lucas Bambozzi.
Ambas as etapas acontecerão em paralelo, enquadrando o projeto na linha de pesquisa Processos e Procedimentos Artísticos, do Instituto de Artes da UNESP.

Exposição de Lucas Pennacchi- Reflexões: Alma e Natureza

Lucas Pennacchi
Fusca Alemão- 2018

Lucas se dedica com interesse e amor à pintura e rapidamente mostrou, com rara facilidade, como vencer problemas pictóricos, compositivas e de desenho no sentido de alcançar o que de mais lindo existe na paisagem, sem procurar os cânones modernos das imitações, fórmulas que estão muito na moda hoje (…) com o desejo de alcançar uma beleza agradável, exprimir e mostrar aos homens o que Deus criou para nós com tanto amor”.

Acontece em NOVEMBRO na CASAGALERIA

AGENDA

Conversa com artista
Dia 10  de novembro as 13h
abertura da CNT 2018
Dia 14 de novembro as 19h
Conversa com artista: Ana Carmen Nogueira – Encáustica ( ateliê).
Dia 21 de novembro as 19h
Conversa com as artistas Marietta Toledo e Kika Goldstein.
Dia 23 de novembro as 19h
Conversa com os artistas Azeite de Leos e Daniel Moreno.
Dia 24 de novembro as 15h
Conversa com os artistas Edu Silva e Milton Blaser.

Cinema

Dia 22 de novembro as 19h exibição do documentário premiado  “CUBA JAZZ” – ( Documentário que narra, através de depoimentos de cubanos ligados ao jazz, de shows e de cenas da vida cotidiana da cidade de Havana, o arranjo cultural da ilha de Cuba, que vive praticamente isolada/bloqueada há mais de 50 anos. Usando o jazz como metáfora da vida sem bloqueios geopolíticos, colhemos testemunhos sobre as formas de diálogo, escuta, intercâmbio, mistura, resistência e improvisação, que afirmam a arte como filosofia da liberdade) .
E depois da exibição, conversa com o roteirista do filme Prof.Dr. Rogério da Costa,  sobre a experiência e vivência com os músicos em Cuba.

Dia 24 de novembro as 16h.30 apresentação da performance audiovisual  “Derivas” com Rodrigo Gontijo e convidado.

CNT 2018 – COLETIVA DE NOVOS TALENTOS 2018

 

 

CNT 2018 – COLETIVA DE NOVOS TALENTOS 2018
Abertura dia 10 de novembro às 13 horas

A Casagaleria e Oficina de Arte – Loly Demercian desde a sua fundação, há 14 anos, vem procurando investigar e questionar as diversas práticas em artes visuais.
A experiência adquirida ao longo desses anos facilitou a compreensão das práticas de curadoria. É fundamental para tal desiderato a compreensão e intelecção dos discursos dos artistas e a sua intenção em relação ao objeto, mas sem incorrer no vício ou no equívoco do reducionismo de um único caminho a ser questionado. Procuramos ampliar esse olhar e o entendimento no processo artístico.
Como se sabe, a arte do século XXI, baseia-se na realidade (simbólico, relações sociais) e  no real ( narrativa, como você vê o mundo) , não se baseia apenas no objeto, mas no processo desse objeto, ou seja, a experiência que nele está contida (realidade,  contemporaneidade, cotidiano etc), descortinando novas práticas dos conceitos tradicionais de arte.
Nessa codificação de diferentes percepções do objeto é que está configurada a construção da linguagem visual: o objeto percebido. A arte, nisso tudo, situa-se na metalinguagem e só se torna significativa quando o sujeito é provocado.
Para que isso aconteça, ela tem que ser apreciada, olhada, sentida, percebida no espaço em relação ao tempo da experiência estética, não importando onde ele esteja (se nas mídias digitais ou qualquer outro lugar do espaço). O importante é que o sujeito estabeleça uma discussão imediata com o objeto e que seja envolvido no processo de significações da obra, isto é, além de perceber a relação espaço/tempo, ele deve habitá-lo.
Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian, portanto, formula um convite para descoberta das experiências que o seleto grupo de artistas têm a demonstrar na materialização do espaço expositivo, que não surgiu do acaso, mas, ao reverso, emergiu de conversas, encontros e trocas reunidas.
Em outras palavras, as interações humanas, configuram relações intersubjetivas de maneira a tornar a arte um lugar de encontro, de ligação e de convivência com o sensível.

Loly Demercian

Fragmento sem frase: Luiz 83

 

Quadrados, triângulos e círculos, amarelo, azul, vermelho e uma única letra. Formas, cores e padrões gráficos elementares associados a um vocabulário que surgido nas ruas é refinado pela experiência que nas ruas também foi adquirida. Nascendo e vivendo em São Paulo, Luiz 83 prospecta na paisagem urbana sugestões de fragmentos de arquiteturas e um glossário gráfico pessoal. Toda essa operação será elaborada num conjunto de estruturas plásticas que resultam em síntese seca e inventiva que toma partido das soluções construtivistas também presentes na sua escultura. Essa síntese contempla o fragmento e o enunciado deixando aos olhos, e a sensibilidade de quem a observa, a tarefa de completá-las.
No percurso dessa construção do espaço pictórico as formas constituídas são
realçadas por cores que quando aplicadas ao suporte não suprimem o branco próprio á tela, mas, pelo contrario, incorpora e beneficia-se dele para intensificar o signo, iluminar e “acender” as cores, criando nessa superfície uma espécie de fosforescência de acento pop confirmando, num certo sentido, a conexão do artista com o universo da “street art”.
Assim para além das interessantes soluções formais que essa seleção de obras apresenta estão as origens dessas criações, isto é, as ruas que são ainda hoje laboratório e suporte para o exercício criativo do artista, talvez por isso as composições mantenham frescas na superfície da tela ou n o metal recortado o calor do seu lugar de origem sem, no entanto, desprezar o caminho, também pouco ortodoxo, que tornou possível ao artista tomar contato com outras experiências que acabaram por acrescentar uma maior densidade poética ao trabalho de Luiz 83. De fato fica a interessante sugestão que um projeto construtivo em arte no Brasil pode abarcar territórios outros que não aqueles demarcados e consagrados pela academia como únicos e canônicos, sem por isso negá-los.

Claudinei Roberto da Silva
Setembro, 2018

Exposição MUR/MUROS

 

AZEITE DE LEOS fez graduação e licenciatura na Faap/SP, desenvolvendo os projetos “Monotipias – Processo Criativo” (gravuras) e “Eu no Desenho”. Ingressou no pós-graduação estrito sensu na Faculdade Santa Marcelina, apresentando a dissertação mestrado com o tema “Narrativas Cotidianas”.

Pela FAAP foi selecionado para integrar uma residência artística “Cité Internacionale des Arts Paris”. Desde então, talvez por influência dos ares parisienses, passou a ser um caminhante das artes.

É que no século passado, circular com o ateliê nas costas e observar a cidade, o movimento, o tempo, os lugares, tal como um andarilho, era comum. Assim o fizeram Baudelaire e tantos outros no início do modernismo.

Como salienta o artista plástico e educador Joe Fusaro, os trabalhos de arte contemporânea apresentam combinações dinâmicas de materiais, métodos, conceitos e assuntos que desafiam concepções tradicionais e definições simplistas. Muitos artistas da atualidade enfatizam as possibilidades de expressão das diversas linguagens artísticas para além do compromisso com técnicas consagradas pela história da arte.

DE LEOS é artista e educador, professor do ensino médio e fundamental. Em razão disso, ele necessita de um olhar que transcenda o seu tempo, mas que, ao mesmo tempo, o mantenha sempre conectado ao presente.

Fazer educação como quem faz arte implica a disponibilidade de experimentar as próprias ações desenvolvidas em escolas, centros culturais e exposições: a consciência de que é preciso deixar de utilizar obras de arte apenas para ilustrar temas e conceitos, desenvolvendo-se uma postura ativa de pesquisa em relação aos processos artísticos e seus desdobramentos.

Em seus novos trabalhos que ora apresenta na Casagaleria e Oficina de Arte, DE LEOS, pensando nas constantes transformações e transitoriedade da urbe – e como essas transformações estão associadas às mudanças das relações entre as pessoas e o meio –realiza um estudo acerca dos resíduos urbanos, que simbolizam, na sua visão, as marcas da passagem do tempo e das transformações urbanas que acontecem cada vez mais rápido e de maneira desordenada.

Por essa razão, no contexto das relações das pessoas com a dialética das reconfigurações do espaço urbano e suas memórias, as rachaduras em muros, as manchas nas fachadas das edificações, os desgastes nas calçadas e os fragmentos de construções podem, segundo o artista, ser utilizados como forma de questionar as possibilidades de permanência e reorganização.

Esse é o sentido de MUR/MUROS, expressão que, contraída, gera o duplo sentido (murmuros), indicando as barreiras (muros) que dividem etnias, territórios, religiões, súplicas etc.

O acaso está presente em seu processo, com materiais específicos, vindos de uma leitura dos gravuristas. A monotipia dirige seu olhar para a prática cotidiana, na qual impõe-se encarar e dominar a realidade.

DE LEOS está na categoria do agir. A rigor, ele nunca sabe o que vai acontecer quando procede a descamação da parede. É nesse agir que a intencionalidade do artista se torna independente, porque resulta ações construtivas.

O acaso é apenas um dos seus elementos técnicos: ele desenvolve ainda a pesquisa das oxidações. Tal como nas gravuras em metal, as oxidações acontecem e o artista delas se apropria com muita maestria, encorporando-as em suas obras juntamente com vários tons do betume. Além disso, utiliza-se da cola que dá volume e faz emergir desenhos.

Por desenvolver experimentos de natureza híbrida, o artista ainda se dedica à fotografia e ao video como dispositivos para sua ações. Apesar da utilização de superfície tradicional (a tela e o papel), as gravações são únicas, sem cópias.

As tensões nos processos realizados por DE LEOS estabelecem ideias sobre o caos com deslocamentos de textura das paredes, estruturas dinâmicas em tons de betume e diferentes oxidações. Trata-se de um trabalho em transformação, um autêntico gesto inacabado.

Roseli Demercian. curadora de arte

 

mini bio do artista Azeite de Leos.

Participou do Programa de Residência Artística Cité Internacionale des arts Paris: pela Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP em parceria com Cité Internacionale des arts em Paris. Realizou exposição individual “Entre Processos” na galeria Jaqueline Martins. Participou de diversas exposições, tais como: “Um livro sobre a morte” Museu Brasileiro da Escultura – MUBE, ABERTO 10 em Uberlândia – MG, “Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo” – SP, “Salão Luis Saciloto de Santo André” prêmio aquisição, “34° Anual de Arte da FAAP”, “4o Salão de Americana” prêmio revelação e a “Chapel Art Show”. Ilustrou revistas e livros infantis como a “Declaração Universal do Moleque Invocado” de Fernando Bonassi, “Historinhas Malcriadas de Ruth Rocha e “Ana está furiosa” de Cristine Nosthingler. Atua como educador em oficinas, instituições, escolas e palestras. Realizou trabalhos em setores educativos de museus e exposições temporárias como, SESC-SP, MAB-FAAP, Museu da Imagem e do Som (MIS), Itaú Cultural, e, desenvolveu trabalhos como supervisor e tutoria do curso de ensino a distância na formação de professores em arte contemporânea oferecido pela Fundação Bienal de São Paulo, Supervisão e assistência de educadores para Educativo da Fundação Bienal de São Paulo na exposição 30a Bienal de Arte de São Paulo. Integrou a equipe CE CEDAC realizando formações em artes nos projetos da instituição. Integrou a equipe de educadores do programa Fábricas de Cultura realizando ateliês de criação em artes visuais. Atualmente é professor de artes no 1o ano do Ensino Médio Técnico e do Ensino Fundamental II do Colégio Módulo.