ANÁLISE SEMIÓTICO DO VIDEO DA ANA LUISA FLORES

Análise Semiótico do Vídeo da Ana Luisa Flores

 

Vídeo diponível em:

Ana Luísa Flores. A marca na parede.

 

 

Rosely Demercian *

 Ronaldo Auad Moreira*

 Willis Guerra*

 

           

Esta análise, apresentada no contexto da disciplina Semiótica Peirceana, ministrada pela Professora Maria Lucia Santaella Braga, teve como bases duas publicações desta docente: “A eloquência das imagens em vídeos de Educação Ambiental”, roteiro presente em Semiótica Aplicada (2002); Matrizes da Linguagem e Pensamento: sonora, visual, verbal (2001).

Uma breve síntese desta análise, aqui compreendida a partir de uma abordagem mais esquemática:

Signo: o vídeo A marca na parede

Objeto:a duração temporal da leitura, pela artista, de um conto de Virginia Wolf; ou, ainda, a visibilidade de uma temporalidade.

Interpretante: certa angústia provocada pela adesão ou não de uma submissão do intérprete ao tempo do outro.

 

1. Signo (em si mesmo, o fundamento):

 

1.1. Quali-signo

Aspectos de cor: a cor das páginas do livro exposto, uma certa luminosidade.

Pontos de vista: frontal, em câmera fixa.

Enquadramentos: frontal.

Movimentos de câmera: não há (câmera fixa).

Composição visual: a presença do livro aberto seguro pelas mãos de uma mulher (a artista) predomina no enquadramento composicional.

Duração dos planos: um único plano que compreende tempos de exposição de páginas duplas abertas, tempos intercalados pelo virar dessas páginas.

Tom e harmonia do som: silêncio em grande parte da duração do plano, silêncio que, gradativamente, é substituído por sons ásperos de uma rua.

 

1.2. Sin-signo (singularidade do existente)

O vídeo em si disponibilizado pelo vimeo. Essa singularização, os quali-signos nela incorporados, serão introjetados ou não, pois isto dependerá da qualidade do meio que irá presentifica-la.

A duração do vídeo é de aproximadamente 5 minutos. 

 

1.3. Legi-signo

Linguagem videográfica: esta obra está inserida num sistema de linguagem audiovisual, especificamente videográfica, vinculado ao vídeo de arte, modalidade que se caracteriza por rompimentos com a linearidade narrativa, o que faz promover instâncias remáticas, estados em aberto. Vídeos de arte promovem a exclusão de edições previsíveis no estabelecimento de novas temporalidades.

 

2. Objeto (aquilo que o signo indica)

 

2.1. Objeto imediato (está dentro do signo, o modo como o signo representa, indica, sugere aquilo a que ele se refere). Aqui, o objeto imediato é a duração temporal de um ato de leitura.

2.2. Objeto dinâmico (está externo ao signo, o que o signo representa)

O tempo do ato de ler, a morosidade desse ato demandada pela personagem do conto de Virgínia Wolf. No caso do filme Memórias Póstumas de Brás Cubas, o que nele está determinado é um recorte (seu objeto imediato) do texto de Machado de Assis (seu objeto dinâmico). O texto de Machado é, por sua vez, um signo que tem por objeto os costumes da sociedade carioca de fins do Século XIX.

2.2.1 ícone (por similaridade)

Movimentos de câmera: câmera fixa, um único plano, registro direto da duração temporal da leitura empreendida pela artista do conto de Wolf. Este registro direto compreende o passar lento das páginas, os intervalos entre esse passar, a luminosidade do local da ação, local este indeterminado. Tem-se aqui um caso de demora icônica, de algo que teima em não deslizar rapidamente para uma instância indicial.

Composição visual: a presença das páginas abertas do livro ocupa todo o enquadramento composicional. As qualidades dessa presença se assemelham às qualidades atuais próprias dos tons de papéis utilizados para a impressão de textos literários

Montagem: sem montagem

Tom e harmonia do som: silêncio em grande parte da duração deste único plano, silêncio que, gradativamente, é substituído por sons que guardam uma semelhança direta com sons de uma rua.

 

2.2.2. Índice (por conexão de fato)

Nos filmes e vídeos, como na fotografia, o aspecto indicial domina. Trata-se aqui de um registro direto, sem manipulações, de um ato de leitura. Mas a condição icônica deste ato se estabelece pelo fato de pormenores indiciais não se presentificarem. Já os sons que entram gradativamente ao final deste plano são índices concretos de sons de uma rua.

O texto impresso, por sua ilegibilidade, não se dá à leitura, ao contrário de seu título. O desconhecimento, por parte do intérprete deste texto de Wolf, fará com que este título seja um índice em aberto, ou seja, remático.

Em muitos casos, por seu caráter icônico, o título de um texto literário conserva em si uma potência que pode fazer dele algo autônomo, algo para além de sua função como título, como signo indicial. Pinturas, vídeos, composições musicais, coreografias e outras linguagens estéticas podem nascer de reações ao estado em aberto de, por exemplo, “As impurezas do branco”, título de uma reunião poética de Carlos Drummond de Andrade.

 

2.2.3. Símbolo (por hábito)

O ato de ler, a suspensão da realidade que este ato exige.

 

3. Interpretante (efeitos)

3.1. Interpretante imediato (efeito interpretativo potencial está dentro do signo- primeiridade)

Aflição, sujeição, adequação a duração temporal do ato de leitura do outro.

 

3.2. interpretante dinâmico (efeito que o signo produz num intérprete -secundidade)

3.2.1. Emocional (qualidade de sentimento)

Este vídeo, sem dúvida, causa efeitos emocionais no espectador. Eles são ocasionados pela angústia de se submeter ou não ao tempo próprio da leitura do outro

3.2.2. Energético (ação física ou mental)

Da instância anterior, o intérprete deste vídeo pode ser levado a buscar relações entre a duração do ato de ler e o conteúdo deste conto de Wolf.

3.2.3. Lógico (o signo é interpretado através de uma regra interpretativa internalizada no intérprete)

A busca pela localização deste tipo de discurso na produção videográfica da arte brasileira contemporânea, poderá fazer com que o intérprete deste signo se torne, de modo crescente, um intérprete familiarizado com este universo criativo, capaz de gerar discursos sobre ele.

3.3. Interpretante final (resultado interpretativo se levado a seu limite, por isso é inalcançável, até porque o signo cresce em um processo infinito de semiose – terceiridade)

O continuum deste processo interpretativo, ou seja, signos abrindo-se em signos a partir das reações inesgotáveis geradas por este vídeo de Ana Luísa em seus intérpretes.

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

ANDRADE, Carlos Drummond de. As impurezas do branco. 10ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.

FLORES, Ana Luísa. <Sobre Marcas na Parede.doc>. Rio de Janeiro, ‎ 4‎ de ‎abril‎ de ‎2012. 32,0 KB.

PLAZA, Júlio. Tradução intersemiótica. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2003.

SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985.

SANTAELLA, Lucia; WINFRIED, Nöth. Imagem, cognição, semiótica, mídia. 2. ed. São Paulo: Iluminuras, 1999, p.73-87.

SANTAELLA, Lúcia. A teoria geral dos signos – como as linguagens significam as coisas. São Paulo: Pioneira, 2000.

SANTAELLA, Lucia. Matrizes da linguagem e pensamento: sonora, visual, verbal. São Paulo: FAPESP/Iluminuras, 2001.

SANTAELLA, Lúcia. Semiótica aplicada.

*** Autores: Roseli Demercian

Possui graduação em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2003), graduação em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1987) e mestrado em Educação, Arte e História da  Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie . Curadora de arte do Centro Cultural CasaGaleria. Doutoranda em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

 

Ronaldo Auad Moreira

Professor, Pesquisador e Coordenador de Extensão, Universidade Federal de Alfenas – UNIFAL – MG, Instituto de Ciências Humanas e Letras – ICHL e Departamento de Ciências Humanas – ICH

Willis Santiago Guerra Filho

Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Ceará (1982), Mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1986) e Doutorado em Ciência do Direito pela Fakultät für Rechtswissenschaft der Universität Bielefeld (1995), devidamente revalidado como equivalente ao título de Doutor do Sistema Educacional Brasileiro, consoante Declaração firmada por autoridade do Sistema Federal de Ensino Superior, em 19 de abril de 1995. Obteve ainda a Livre-Docência em Filosofia do Direito pela Universidade Federal do Ceará (1997), o cargo de professor titular de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará (1998) e o Pós-Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), onde também obteve o Doutorado em Filosofia (2011). Atualmente é professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), professor permanente no Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) e professor colaborador no Programa de Mestrado em Direito da Universidade Cândido Mendes (UCAM), no Rio de Janeiro, RJ, bem como do Curso de Graduação em Direito da Escola Paulista de Direito.Tem experiência em Direito e Filosofia, sendo maior a experiência na área de Teoria do Direito, com ênfase em Direito Público, atuando principalmente nos seguintes temas: direitos humanos e fundamentais, processo constitucional, história e filosofia do direito.

 

 

 

 

 

RE-CRIAÇÃO1#Formas/cidade

RE-CRIAÇÃO 1#Formas/Cidade

Exposição de ALEX ORSETTI

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Numa espécie de “prognose póstuma”, Alex Orsetti buscou em seus arquivos a inspiração para a retomada e releitura de antigos trabalhos, tornando-os importantes referências históricas para o desenvolvimento de novas perspectivas visuais.

Nos esboços presentes em seu ateliê encontramos desenhos e gravuras em metal, que são técnicas estudadas com Evandro Carlos Jardim e no museu Lasar Segall.

Seus esboços são pouco nítidos e retratam as caminhadas que ele fez pela cidade: um verdadeiro andarilho do centro velho de São Paulo, observando, desenhando, conversando nos botecos, no metrô, no ônibus, sempre à procura de algo. Dessa forma, andando no desconhecido, ele mapeou ícones da grande Metrópole.

Num árduo trabalho, marcado também por profunda sensibilidade, ele utilizou a arquitetura de São Paulo como o fio condutor das suas variações de cor e luz de uma cidade pulsante.

Seus trabalhos: Começo, Contrastes, Sonho Urbano, Do Alto ouço Melhor, revelam memórias e registros feitos por Alex Orsetti nessas suas andanças.

Quando observamos atentamente as obras percebemos que suas ações sofrem intervenções do seu inconsciente, porque não é uma São Paulo cinza, estática, definível, e sim uma cidade vermelha, rosa, azul. Evidencia-se, dessa forma, um processo de mutação e de transformação que sofre os influxos das interferências climáticas, da reconstrução de mobilidades, da arquitetura e dos desgastes causados pela própria ação do tempo.

Essa recriação do olhar que Alex lançou em seu projeto artístico tem transformações múltiplas, feitas por meio de suas pinceladas, de leituras aéreas, com cores rebaixadas, tons de cinzas, amarelos queimados, azuis areados, bordôs, carmim, cobre, pêssego e uma gama de cores, como se estivesse, com muita maestria, pincelando São Paulo, propondo-nos uma nova e inusitada visão da Velha Capital.

Nessa exposição – “RE-CRIAÇÃO1# FORMAS/CIDADE” – Orsetti nos presenteia com esse processo artístico, alimentando nosso olhar com cores, formas, imperfeições, movimentos da arquitetura, além de dúvidas, perplexidades e inquietações. Ele carrega seu ateliê nas próprias costas, como se estivesse em todos os lugares e nos convidasse a visitar esses mesmos lugares. Com essa técnica, Alex Orsetti nos deixa penetrar em seus pensamentos e nos seus devaneios sobre a tradução e intelecção que faz de sua Cidade.

Loly Demercian / curadora de arte

Quando: 03 de abril de 2014 as 18.30

de 03 a 15 de abril

Onde:Realização:  Centro Histórico e Cultural Mackenzie com apoio da:  Casagaleria Loly Demercian

Compareçam e apreciem um novo olhar dessa cidade Maravilhosa!!!!!

Loly Demercian-  Possui graduação em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2003), graduação em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1987) e mestrado em Educação, Arte e História da  Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie . Curadora de arte do Centro Cultural CasaGaleria. Doutoranda em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

 

LEIAM COM ATENÇÃO O TEXTO QUE SEGUE

AMIGOS E VISITANTES DA CASAGALERIA NO FACEBOOK: PEÇO-LHES A ESPECIAL ATENÇÃO AO TEXTO QUE SEGUE.

AOS NOSSOS MAIS DE 8.000 SEGUIDORES.

Com uma proposta de difusão da arte contemporânea o Centro Cultural CASAGALERIA foi inaugurado no ano de 2004. Completamos, portanto, dez anos de vida, sempre promovendo jovens valores e outros memoráveis eventos, tal como o nosso mais recente PROJETO MULHER.

Procuramos, ao longo desses anos, exercitar alguns valores indissociáveis da arte, com postura ética e, acima de tudo, sem preconceitos de qualquer espécie.

Recentemente esta página da CASAGALERIA foi alvo de delações anônimas (característica, aliás, de covardes e pusilânimes), provavelmente movidos por inveja (que é a arma dos incompetentes) ou, o que é pior, por interesses comerciais escusos.  Assim é que, em duas oportunidades, postagens feitas em nossa página foram “denunciadas” como práticas pornográficas.  A primeira denúncia, fazia referência a uma exposição da fotógrafa MARINA BITTEN (que fotografa corpos nus com rostos cobertos, além de uma foto mundialmente conhecida de YOKO ONO, nua, em performance contra a guerra do Vietnã); a segunda denúncia anônima indicava como pornografia duas pinturas à óleo do não menos conhecido HENRI MATISSE, que retratavam mulheres parcialmente desnudas e sentadas (“Carmelina”, exposta no Museum of Fine Arts of Boston; e “Blue Nude”, exposta no Baltimore Museum of Art).

Em ambos os casos, houve suspensão temporária da nossa página na internet, com a remoção compulsória das publicações e prejuízos morais e materiais que ainda estão sendo calculados.

Em relação aos delatores anônimos, já estamos tomando as medidas cabíveis, com a contratação de renomado escritório de Advocacia de São Paulo (especializado na área) para providências no sentido de identificá-los, buscando a reparação cível e criminal.

Quanto ao Facebook, só nos resta lamentar e tornar pública nossa indignação. É inimaginável que nos dias atuais ainda possa haver confusão entre expressão artística e mera pornografia. Arte com censura não é arte. A absoluta falta de critério torna-se tanto mais evidente quando se “censura” obra famosa de HENRI MATISSE e se tolera, por exemplo, a difusão às mancheias de participantes de um conhecido reality show televisivo em cenas de sexo explícito (que nada tem de artístico) ou se admitem páginas que difundem a intolerância sexual, sócio-política e os mais variados crimes de preconceito e discriminação.

Só nos resta denunciar este fato e ter esperança de que a equipe do facebook responsável pela censura seja mais atenta e adote critérios razoáveis e minimamente compreensíveis, assegurando-se ao “denunciado” a prévia oposição dialética e o contraditório, não permitindo que seus usuários fiquem a mercê de indivíduos desequilibrados, irresponsáveis e maldosos, que se movem pela cupidez, maus instintos e outros objetivos menores.

Saibam que, apesar disso, não nos desviaremos um milímetro da nossa filosofia já arraigada de difusão da cultura e arte contemporâneas. De todo modo, nosso BLOG (http://blog.casagaleria.com.br/) – a cuja visita os convidamos – sobrevive com toda energia, indene a esses ataques sorrateiros, sem censuras ou preconceitos.

Performance e Palestra

convite palestra 1Convido a todos a participar da Palestra da Prof. Dr. Marcia Tiburi , sobre a mulher contemporânea e da performance da artistas plásticas Janaína Barros e Marina Bitten. Completando o ciclo de palestras da Ocupação Mulher.

Dia 28 de novembro (quinta-feira) a  partir das 20h.

 

Sobre a palestrante:

Marcia Tiburi é  graduada em filosofia (PUC-RS) e artes (UFRGS) e mestre (PUC-RS, 1994) e doutora em filosofia (UFRGS, 1999). Publicou diversos livros de filosofia, entre elas as antologias As Mulheres e a Filosofia (Editora Unisinos, 2002),  O Corpo Torturado (Ed. Escritos, 2004), e Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero(2008, Edunisc), Seis Leituras sobre a Dialética do Esclarecimento (2009, UNIJUí). 
Publicou também os ensaios: Crítica da Razão e Mímesis no pensamento de Theodor Adorno (EDIPUCRS, 1995),Uma outra história da razão (Ed. Unisinos, 2003), Diálogo sobre o Corpo (Escritos, 2004), Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Escritos, 2004) e Metamorfoses do Conceito (ed. UFRGS, 2005).  
Em 2008 publicou Filosofia em Comum – para ler junto (Record). Publicou em 2009 em parceria com Denise Mattar o livroMaria Tomaselli, sobre a artista homônima. 
Em 2010 publicou o infantil Filosofia Brincante (Record) e Diálogo/Desenho(ed. SENAC). Publicou em 2011 Olho de Vidro, a televisão e o estado de exceção da imagem (Record). 
Publicou os romances Magnólia em 2005 indicado em 2006 ao Jabuti de melhor romance e o segundo volume da série Trilogia Íntima chamado A Mulher de Costas em 2006 (ambos pela Ed. Bertrand Brasil). Em 2009 finalizou com o romance O Manto (pela Ed. Record), a série intitulada Trilogia Íntima. 
Em 2012 publica o romance Era Meu esse Rosto pela Editora Record. Ainda no prelo encontram-se os livros Diálogo/Dança e Diálogo/Fotografia pela editora do SENAC-SP.
Como escritora, já participou de diversos eventos literários, entre eles a Jornada Literária de Passo Fundo, a Fliporto, o Festival da Mantiqueira, a Tarrafa Literária de Santos, as Bienais do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Minas Gerais, as feiras de Ribeirão Preto, de Porto Alegre, de Santa Maria, a Panamazônica de Belém, e diversas outras. 
Escreveu para várias revistas e jornais e desde 2008 é colunista da Revista Cult.
É professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie, professora convidada daFundação Dom Cabral. Realiza palestras sobre filosofia, ética e educação e temas relacionados.

BLOG DE MARCIA TIBURI

 

Exposição: Corpos Silenciados

CORPOS SILENCIADOS

JANAINA BARROS

 A artista Janaina Barros, natural de São Paulo, nasceu em 20 de maio de 1979. É graduada e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP,  São Paulo.

É autora de vários artigos sobre a criação artística de mulheres negras brasileiras, como sobre Lita Cerqueira e Rosana Paulino. Essa mesma temática é alvo de sua poética.

No início de sua trajetória, o interesse pelo corpo feminino fizeram-na pesquisar suportes que pudessem oferecer uma integração entre a matéria e a cultura. Por exemplo, o tecido chita, apropriado pela artista em alguns trabalhos, levou-a a certas origens e lugares: até a corpos de mulheres negras com pés descalços, memória de infância que se misturou às vestes dos palhaços da Folia de Reis em Minas Gerais. 

No desenvolvimento de sua poética, Janaina participou de grupos de pesquisas acadêmicas que acabaram se desdobrando na sua pesquisa de mestrado. Sua temática buscou aspectos de uma arte afro-brasileira atual por meio da análise da produção de artistas brasileiras, com percursos distintos em relação ao ato criador no campo da religiosidade e do lugar de uma identidade étnica. O algodão e os bordados e o desenho e a acrílica construiram uma série de retratos de mulheres negras, nos quais ora o corpo fundia-se ao fundo, ora apartavam-se.

Com o pintor Paulo Pasta redefiniu a compreensão do suporte, da cor, do volume e da linha. O tecido, então, utilizado como forma bidimensional começou a ganhar volume e a manipulação de diferentes estampas sobrepostas, configuradas como espaços de cor, mostrou a essa jovem artista uma outra natureza pictórica. Surgem, então, os objetos invólucros,- luvas, aventais, capas de liquidificador, panos de prato,- que constroem uma poética do cotidiano.    

 Janaina Barros está apresentando seu novo trabalho, Série Bonecas de Bitita, na Casa Galeria Loly Demercian, entre 22 de novembro e 13 de dezembro.  

Bitita refere-se a um apelido de infância da escritora mineira Carolina de Jesus e O diário de Bitita, história de sua infância e adolescência em Minas Gerais, até sua vinda a São Paulo, é o objeto de interesse nessa pesquisa poética de Janaina Viana.

O olhar da artista busca cifrar, em dez trabalhos, a compreensão dos lugares e origens vividos pela escritora Carolina de Jesus; nessa série, apropria-se das figuras das bonecas, marionetes em suspensão no campo da representação. Apropria-se de materiais e técnicas, como o bordado, os desenhos e suas transferências, os fios sintéticos, as linhas de costura e contas. Acaba tecendo um espaço e um tempo de memória que mescla sua própria infância, misturada às vestes dos palhaços da Folia de Reis, e a infância e adolescência de uma mulher negra, Carolina de Jesus, a escritora.

O que sobrevém, nessa pesquisa minuciosa de Janaina Barros, é o entrelaçamento de todos os aspectos de uma autoria negra, tanto nas artes visuais quanto na literatura, na construção da história cultural brasileira atual.

 

Carmen Aranha

Janaina Barros

Loly Demercian

 

MARINA BITTEN

CORPOS SILENCIADOS

Marina Bitten nasceu na Cidade de Tubarão, – Santa Catarina, estado brasileiro com forte predominância do catolicismo. Cresceu em uma família de oito meninos e nesse cenário masculino, frequentemente, era excluída das brincadeiras e conversas, o que lhe trouxe um sentimento aparte desse mundo dos homens. 

Possui graduação em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Unisul (SC- 2007) e pós-graduação em Marketing de Moda pelo Senac (sC -2009). Aprofundou-se em fotografia de moda e publicidade no Instituto Internacional de Fotografia (SP – 2009/2011) e experimentou a fotografia criativa e autoral no Museu de Arte Moderna(SP – 2012).  A busca pela fotografia autoral proporcionou-lhe a possibilidade de construção de uma linguagem expressiva sobre a ideologia da sociedade sobre o corpo feminino, sua sensualidade e fetiches. 

Marina Bitten apresenta a exposição Corpos Silenciados na CasaGaleria Loly Demercian, entre 22 de novembro e 13 de dezembro de 2013. A artista expõe sete imagens, consideradas por ela “atemporais”, nas quais discute a temática do corpo experimentado e corpo legítimo¹[1]. Em suas obras vemos corpos reprimidos e vulneráveis, solitários e usáveis, coloridos e construídos, poderosos e fetichistas. Marina une o verdadeiro e o fantástico, ou seja, a carne feminina com objetos de decoração e uso comum, entre luzes e cores cinematográficas. Alterna a primazia técnica e a fatura despreocupada e com isso, sua poética interroga o mundo em que vivemos, entretanto, criando uma impessoalidade nas figuras sem rostos. “Corpo Servil” e “O Abajur” misturam corpos carnais e objetos. As obras “O quarto” e “O quarto 2″ situam o vazio existencial da espera pelo outro. “Corpo privada” situa o horror da relação dos seres com os dejetos do mundo. “Retrato” ou “Corpo Forjado” são corpos coloridos em azul e vermelho, sem rostos. Há sempre um estado onírico nas obras da artista que procura revelar os pensamentos mais profundos: sexo, sonhos, realidades inflexíveis e fetiche. Combinações perturbadoras de efeito estranhamente sensual.

A obra de Marina nos instiga ao ver que ”não podemos acreditar e sim questionar”[2]. Questionar a realidade vivida (nosso mundo), o papel da mulher e o papel de seu observador ou apenas envolver-nos nos sonhos que o mundo nos desperta.

A cama, o corpo sem rosto. Indícios de desejo, fragmentos cinematográficos. Desvelamos o lugar e os personagens que habitam a fotografia de Marina Bitten. Estabelecemos um ponto de fuga da realidade, onde corpos sem identidade habitam tempo/espaço sem passado e sem futuro. 

 

 

Carmen S. G. Aranha – É Livre-docente em Teoria e Crítica de Arte pela Escola de Comunicação e Artes da USP . Professora associada  do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Presidente da Comissão de Pós-Graduação e Coordenadora do Programa Interunidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo .

 

Loly Demercian-  Possui graduação em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2003), graduação em Pedagogia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (1987) e mestrado em Educação, Arte e História da  Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie . Curadora de arte do Centro Cultural CasaGaleria. Doutoranda em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

 



[1] Bourdieu, Pierre:  A Dominação Masculina: Rio de Janeiro: Betrand Brasil, 2010, p.81,82

[2] Gompertz, Will. Isso é arte ? : Rio de Janeiro: Zahar, 2013, pg.83