Rogério Barbosa artista plástico

2 series e cadernos

Rogério Barbosa
A trajetória artística de Rogério Barbosa se iniciou aos 17 anos, quando ele decidiu deixar sua cidade natal, Pouso Alegre, para estudar artes plásticas em São Paulo. Filho de agricultores da região, com uma tradição predominantemente rural, enfrentou o desafio da mudança radical de partir para uma grande cidade e lidar com um assunto em si bastante complexo e subjetivo. Cursou a Escola Panamericana de Arte entre 1987 e 1990, voltando a Pouso Alegre, passou a lecionar matérias relativas a Arte e História da Arte e escolas da rede particular de ensino, atividade que manteve até 2002.
Neste período, manteve seus contatos com as instituições de arte em São Paulo e frequentou o atelier de pintura do MUBE, Museu Brasileiro de Escultura , em oficinas ministradas pelos artistas Carlos Fajardo e Dudi Maia Rosa, que muito contribuiu em suas escolhas e caminhos dentro da Arte Contemporânea. Participou de diversas exposições e salões, sendo a última individual na Galeria Baró Senna, em São Paulo.
Os trabalhos de Rogério Barbosa estabelecem-se nos limites fugidios do Desenho e da Pintura. Por vezes, o desenho atravessa a matéria pictórica ou sobrepõe suas cores econômicas e terrosas, e se afirma quase abstrato, ainda que com resquícios de uma figuração recorrente como pequenas memórias. Em outros trabalhos, a pintura, somada ao uso de materiais pouco convencionais como verniz, asfalto e terra, dissolve as arestas do desenho como quisesse rebaixá-lo
sem, no entanto, descaracterizá-lo . Frente a este embate, faz-se importante ao observador que transite entre os dois universos, ciente de que as tensões estabelecidas entre eles se somam como qualidade plástica, e que desnecessário seria engessar os trabalhos em uma ou outra categoria. Mais importante talvez deixar-se levar pela carga emocional que os trabalhos suscitam e ouvir os ruídos que provocam nos nossos sentidos.

Teodoro Stein Carvalho Dias
Texto escrito para a exposição no Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas-MG em 2012.6 papéis8 papéis

 

Texto curatorial da exposição “Culpa de ser e Culpa de não ser”

Culpa de ser e culpa de não ser

 

Segundo Stuart Hall, o processo de formação cultural de um povo, de uma nação, é que lhe dá identidade. São histórias contadas e recontadas; memórias que estabelecem um nexo etiológico entre o presente e o passado, ou seja, uma verdadeira “comunidade imaginada”.

E esse fenômeno de identidade cultural foi duramente afetado na história do povo Armênio e de várias outras etnias e nações.

A diáspora, não há dúvida, causa destruição da memória de uma nação. Afeta suas narrativas, suas experiências compartilhadas, suas perdas, seus triunfos, a literatura, cultura popular, sua ancestralidade, a língua falada etc. Tudo se perde. Os filhos da diáspora estão longe de sua terra natal e são obrigados a se inserir em uma nova cultura, uma nova língua, refazendo suas vidas com perdas não raro irrecuperáveis.

Para se entender o genocídio do povo armênio, é curial que estude o Império Otomano, notadamente no final do século XIX e início do século XX. Esse é o cerne desta exposição. Pela arte, procurou-se reescrever essa história, identificar seus personagens, suas trajetórias e a forma pela qual construíram suas narrativas imaginárias.

Esse é apenas um fio condutor para se descortinar no pensamento um autêntico processo conscientizador.

A artista ANA LUIZA KALAYDJIAN, apresenta a instalação “Testemunho”. Este trabalho, desenvolvido ao longo deste ano, reúne histórias de sobreviventes, netos e filhos do genocídio Armênio. Em “Círculo Invisível”, a artista se apropria da farinha (simbolizando a ausência do pão e a fome no deserto sírio) e a apresenta de uma forma performática por meio de vídeo e também de forma escultórica, resultando várias leituras subjetivas da ancestralidade do povo Armênio.

A artista CAROL KURCIS, pela lente de sua máquina fotográfica, com muita sensibilidade, apresenta imagens das faces de pessoas em P&B dentro de tramas, como se cada fio da trama representasse uma história, uma memória, uma saudade.

As cores tonais apresentadas nesse contexto são frias, neutras, pois elas representam o não-reconhecimento, por vários países, inclusive o Brasil e a Turquia, do genocídio do povo armênio.

O artista plástico NICK ALIVE, em obra criada com a técnica do grafite, valendo-se de cores menos frias, desvela o Monte Ararat, que desperta muitos desejos e esperanças, pois significa a separação territorial, os conflitos, a religiosidade, a beleza e a grandiosidade que povoa o imaginário do povo armênio.

PAULO HARDT, artista plástico e publicitário, expõe uma escultura que, pelas formas e pela escolha do material – o concreto – representa os túmulos e os tempos sombrios que culminaram na matança indiscriminada de inocentes e a expulsão de todo um povo de sua terra natal.

As performances de JANAÍNA BARROS e WAGNER VIANA – professores, artistas plásticos e militantes dos movimentos pelos direitos de igualdade racial – cuidarão das novas diásporas, não só aquelas criadas pelas migrações pós-coloniais, como também aquelas vivenciadas pelos jovens negros da periferia e a população indígena genuinamente brasileira.

Por fim, haverá a exibição do Road Movie “RAPSODIA ARMENIA”, composto por uma polifonia de personagens, no qual rostos armênios e suas músicas são os verdadeiros protagonistas, com a presença dos diretores/ cineastas CASSIANA DER HAROUTIOUNIAN, CESAR GANANIAN E GARY GANANIAN, para uma conversa sobre o processo e produção do curta metragem.

No decorrer da semana, outros filmes e documentários produzidos por cineastas armênios e outros cineastas internacionais, traduzidas e legendadas por CHARLES APOVIAN.

Espera-se que, a partir do resgate dessas memórias, seja possível sensibilização sobre questões tão atuais, quais sejam: as guerras civis e étnicas; as novas diásporas; a conquista de poder pela violência; a ignorância e a falta de alteridade.

Como salienta Maria Rita Kehl, […] “não querer saber de nada”, é o apego à ignorância que caracteriza a nova barbárie diagnosticada por Walter Benjamin às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Seria justamente a disposição subjetiva capaz de promover tanto a paixão amorosa quanto os ódios apaixonados que podem incendiar multidões e autorizar toda espécie de violência em nome de ideias de segregação e pureza.

 

Loly Demercian.

Foucault: O que é o eu?

AS FISSURAS DO SENTIDO DO EU

RESENHA DO LIVRO: CANGUILHEM, Georges. Michel Foucault: morte do homem ou esgotamento do Cogito? 0012528216

” Foucault não foi o inimigo do homem e do sujeito humano que se julgou que fosse; considerava, simplesmente, que esse sujeito não podia fazer cair do céu uma verdade absoluta nem agir soberanamente na constelação das verdades.”  Não temos comunicação direta com o ser. Contudo, isso não nos leva para uma ontologia completamente relativista, para um ceticismo ou um niilismo. Ao contrario, em Foucault não há distanciamento analítico em relação ao que buscam aqueles que querem encontrar a essência da verdade. Digamos que ele muda a lente de observação e nos leva para além da sociedade, da mentalidade e dos generalismos. Fez-nos ver que “o conhecimento não pode ser o espelho fiel da realidade.”  Pelas discursividades encontramos a razão da inesgotável produção de Michel Foucault, nas suas variâncias, nas peculiaridades de cada época, no enfrentamento de tabus, de historicismos, cientificismos, em síntese, nos jogos de poder. Por meio deles somos acostumados a engolir verdades, sempre provisórias, mas que carregam um conteúdo definitivo, total, perpetuo. Inversamente Foucault nos mostra que o pensamento é rarefeito, apresenta lacunas e são com elas que ele se ocupa.

Em Michel Foucault: morte do homem ou esgotamento do Cogito? encontramos uma defesa de As palavras e as coisas e do método arqueológico. Georges Canguilhem promove a tentativa de salvaguardar as hipóteses de Foucault, livrando-as dos inúmeros equívocos de compressão já expressados a respeito da obra que esta próxima de completar cinquenta anos e é concebida, mesmo pelos críticos, como uma das mais relevantes produções filosóficas do século XX.

Nao há identidade previamente dada nos caminhos percorridos pelo pensamento de Foucault. O seu objeto nao está nas coisas, na natureza humana, mas no enunciável, no enunciador, no discurso, na linguagem, enfim. Nietzsche já indicava que o sentido da palavra remete ao que ela confere e por quem é dito, como é enunciado. Fazendo uso dessa proposta, Foucault modifica uma questão importante na historia do pensamento, a de que importa menos o significado do que é pensar. Devemos nos voltar para a questão “o que é falar?”. Vemos uma ruptura com os pressupostos cartesianos, na medida em que as discussões em primeira pessoa se tornam estéreis, no momento em que a loucura é apresentada como excesso de subjetividade e a normalização como o apagamento do eu, portanto há uma revolução acerca do que tomamos como objeto de reflexão. Dom Quixote é uma clara representação desse modelo de loucura, não por acaso algumas paginas de As palavras e as coisas são dedicadas á analise dessa criação de Cervantes. A linguagem é um dispositivo de poder, nao somente uma marca, uma espécie de assinatura, de autoria, mas também um instrumento de manipulação.

A fundamentação científica contemporaneamente, justamente por isso, não busca mais decifrar a natureza, mas encontrar o melhor modo de representa-la. O Cogito de Descartes foi por séculos sustentados como a relação conceitual mais cristalizada entre aquele que pensa e o pensamento. Contudo o eu de Descartes só é valido para Descartes. Esse eu não atinge uma eventual prova do outro, nem mesmo daquilo que representa.

Foucault nos leva a retomada dessa pergunta: O que é o eu? Mas um eu que vai além do racionalismo cartesiano, que compreende o outro como elemento formador na representação do que é o eu. O eu do outro ou o meu eu visto pelo outro, em terceira pessoa. Se espantar com o seu eu, não reconhecer a natureza dele, pelo menos aquela atribuída discursivamente pelo outro, sobretudo por dispositivos de analises ditos científicos: sadio, doente, louco, liberto, curado, etc.

Le Goff diversas vezes aludiu para a pouca importância, sob sua ótica, na contribuição dos filósofos da historia para a historiografia e para o processo de composição de um estudo histórico consistente. Noutra via, abria exceção quando o citado nas entrevistas era Foucault, afirmava que “foi um caso raro: tornou-se historiador, permanecendo filosofo!” A admiração talvez se situe no fato de que Foucault não costumava citar historiadores para confirmar hipóteses, preferia se debruçar em textos primários por vezes esquecidos em bibliotecas, fontes pouco recorridas, documentos soterrados e assim construia sua teia argumentativa. Foucault nunca foi fiel a si mesmo e aos seus conceitos. Sua filosofia jamais foi produzida a partir de alguma tese que pudesse ser defendida por ele durante toda a vida; seu pensamento é produtor de movimento, de novidades, e, por isso, considerado aberto. A perfeição do seu discurso esta justamente no perpetuo desajuste, na capacidade de admitir sua produção intelectual como processo de constante reelaboração, como se a busca por tecer tanta analise acerca do poder o tivesse seduzido. Suas obras demonstram uma tentativa de jamais se deixar amarrar aos discursos como principio de verdade.

Foucault talvez tenha sido o filosofo mais plural do século XX, sobretudo se pensarmos nas suas contribuições dadas em inúmeras e diversas áreas do pensamento: artes, direito, linguística, historia, medicina, economia, biologia, psicologia, etc. Isso porque seu objeto é o discurso, e assim, acabou por elaborar uma especie de historia universal que por meio de uma analise minuciosa daquilo que é enunciado tornou tudo singular, tal como sugere Paul Veyne. Canguilhem nos apresenta uma defesa desta infidelidade que me parece mais confiável, em termos do que possamos compreender por pratica, por exercitar e estimular o conhecimento.

Leandro Alves Martins de Menezes

Processo de Pensamento

Como de costume de todas as manhãs em minha casa, leio os jornais, Folha de São Paulo e Estadão. E os artigos que me interessam vou recortando e aglomerando em minha caixa de vime, até resolver trazer para a galeria e discutir com o pessoal. As vezes tais discussões não acontecem, por falta de tempo, na correria diária da galeria, são artistas, portfólios para ver, processos para acompanhar de artistas, projetos culturais, aulas, obras, fotos etc.

Bom, foi nesse vai e vem de falta de tempo para filosofar, um pouco diante da nossa realidade, que resolvi fazer esse site. Assim eu escrevo, e a discussão será ampliada a quem quiser ler e discutir. É sempre bom uma brecha para olhar um pouquinho para o mundo e, ver o que está acontecendo em outros países, cidades e quem sabe, mudar nosso olhar para a realidade.

Li hoje no caderno Cotidiano C2 da Folha, um texto do Rubem Alves, entitulado “Onde Mora a Inteligência”. Este texto me chamou atenção, pois leio muito Bergson e, em seus livros se dicute muito sobre a inteligêcia. Por tanto é um assunto que vai de encontro com as minhas leituras.

Me deparei com uma leitura bem diferenciada, uma outra forma de abordar um tema com o qual estou bem habituada a ler, que é inteligência. Diferente pelo menos em um de seus aspectos, como ativar a inteligência que esta em nossa memória histórica e na criatividade?

Rubem Alves, retorna a sua antiga escola em Portugal e se depara com uma frase de uma garota: “O real não esta na saída nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. Até então ele não havia pensado, a escola e seus professores, por esse ângulo.

Lembrou-se de seus anos no ginásio e a pedagogia dos professores em ensinar. Os professores ensinavam o que já estava pronto e queriam ver os resultados nas provas, tudo era decorado e pré induzido em nossas cabeças. Aí surgiu a frase da garota, e o durante? e a travessia? Pois na chegada a inteligência dormia, onde estavam os argumentos sobre a raiz quadrada? Quantas vezes o matemático errou para chegar ao resultado? Onde está o pensamento? A física, a geometria, as ciências? Como descobriram, quais as hipoteses levantadas, os camimhos que os levaram a pensar tais formulações? Onde esta a travessia, o durante?  O professor não ensinou.

Os professores não percebem que esquecendo a travessia, apenas ensinando na chegada, formam alunos com uma memória musculosa e uma inteligência flácida. A arte de pensar, se ensina, fazendo a inteligência seguir o caminho da travessia, com todos os seus erros e enganos.

Loly Demercian

Grafitte

Discorrendo sobre o Grafitte

Segundo Bauman, numa sociedade liquida-moderna, as realizações individuais não podem solidificar-se em posses permanentes, porque, num piscar de olhos os ativos se transformam em passivos e as condições de ação e as estratégias de reação, envelhecem rapidamente e se tornam obsoletas.
Seguindo esse raciocínio, observo o grafitte, nas ruas, nas esquinas, nas casas abandonadas, nas indústrias esquecidas, na periferia, na cidade… na galeria de arte.
Mas a questão é o conceito, seria arte expandida, como muitos críticos a definem? Fine art, como esta sendo chamado? Vejo que não, pois a arte expandida tem como  cânones a história da arte,  o discurso  é definido na arte, coisa que o grafitte não , ele é bem indefinido; Campo ampliado? não, porque ele não tem territórios e não se instaura em lugar nenhum; Arte híbrida? Não, porque ele não tem plasticamente várias produções, a manufatura não é retirada da história da arte; Desenquadramento da arte? Não porque ele não tem como conceito algo palpável, do estático, não existe nem modelo e nem uma idealização de um  mundo.
Então o que  define o grafitte na contemporaneidade? 
Seguindo o raciocínio de Bauman, em que as ações e as estratégias de reação envelhecem rapidamente e se tornam obsoletas, o grafitte é essa ação, porque a cada segundo, a cada minuto uma parede é pintada, assim, como ela é destruída, demolida. Tudo que se pintou, transformou-se em pó. As técnicas mudam a cada dificuldade que o grafite exige. Os desenhos, os riscos, nada pré-definido, mesmo que queiram marcar o gestual, como uma grife, que é digno, porque somos humanos, queremos dar nossa assinatura como existência que estivemos aqui…
Essa é a palavra…existência…tudo se torna obsoleto. A existência, precisamos dela, mesmo que em si, mesmo que sendo. É o aqui, é sendo vivido, ora se ela é sendo , no gerúndio, como podemos dar nomes, se ela é o agora?
É nessa ilusão que temos da consciência, que o grafitte cria e recria, leva-nos a refletir sobre o que vemos e sobre o nosso tempo, a nossa consciência das coisas vividas.
Termino citando Bergson: “A Imagem é um estado presente, e só pode participar do passado através da lembrança do qual ela saiu. Se a consciência não mais que característica do presente, ou seja, do atualmente vivido, ou seja, enfim, do que age, então o que não age poderá deixar de pertencer a consciência, sem deixar necessariamente de existir de algum modo.”

Loly Demercian

Profanações

Profanações- Giorgio Agamben

Resenha:

Profanações- Giorgio Agamben

Segundo o autor , profano, é aquilo que , de sagrado ou religioso que era, é devolvido ao uso e a propriedade dos homens.

Quer dizer, é aquilo que deixou de ser sagrado , ou ainda, da ausência deste. Perder o sagrado é perder a totalidade de mundo. Digo isso porque profanar significa restituir o uso comum , o que havia sido separado na esfera do sagrado. Tornou-se improfanável, fragmentado, onde o sacrifício, tornou-se mercadoria, como o corpo , a sexualidade, a linguagem, esta na esfera do consumo.

Walter Benjamin discorrendo sobre modernidade disse que, o valor da exposição, quer dizer, o corpo exposto para as câmeras, como um espetáculo, com a perda da aura, banalizando o improfanável. E Marx na oposição, entre o valor de uso e valor de troca,  a exposição vazia do resto, e Nietzsche, com a morte de Deus e nas consequências dessa morte. Diz que a negação do mundo supersensível ( como Kant defendia) e dos valores que o constituem acarreta o esvaziamento do  mundo sensível, que se vê privado de consistência e de razão de ser- niilismo- a vida humana se tornaram caducos.

O presente em que estamos vivenciando as nossas experiências humanas nos mostra a total descentralização do que somos.

O individualismo, a massificação , acabou com nossa subjetividade, liberdade. Nos remete a perda do sagrado, que significa a indigência do tempo.

Mas é exatamente aí, nessa esfera da profanação – na ausência do ser, surge a necessidade do diálogo, é preciso que haja tal perda para se traçar o caminho do sagrado.

Numa linguagem autenticamente trágica, o original, o que está sempre a cria-se, é o surgimento do individual, e é através desses jogos de seduções e de profanações que fotógrafos, cineastas, poetas utilizam-se para expressar e interpretar o nosso modo de viver, da nossa época. A profanação do improfanável é a tarefa política da geração que vem.

Loly Demercian