CASA FURADA

CASA FURADA

      Rodrigo Gontijo e Simon Fernandes

Instalação Sonora, 2017

A instalação CASA FURADA de Rodrigo Gontijo e Simon Fernandes é inspirada na terceira catástrofe, conceito proposto pelo filósofo Vilem Flusser. Para Flusser, o ser humano é o resultado de catástrofes do mundo e da natureza, que são divididas em três grandes catástrofes: a hominização, a civilização e a terceira catástrofe ainda sem nome. A primeira catástrofe foi a queda das árvores. O hominídeo foi obrigado a descer para o lugar que ele temia, o chão, o habitat dos seus maiores inimigos: insetos, répteis, anfíbios e os outros animais. No chão, ele aprende a caminhar, tornando-se nômade, um sujeito que andava sem descanso, em busca de alimentos. Depois de milhares de anos de nomândismo, o ser humano sofre a segunda catástrofe, chamada civilização. Com o assentamento em cidades, aldeias e casas fixas, o ser humano começa a acumular objetos, bens e posses. A segunda catástrofe permitiu que o espírito do andarilho fosse domesticado. As paredes das casas habitadas por ele protegiam-no do frio, da chuva e do ataque de animais. No presente momento acontece uma terceira catástrofe, ainda sem nome, que é aquela que ocorre quando as paredes das casas que nos protegiam das ameaças são perfuradas e invadidas pelos ventos da informação.

O lugar onde acreditávamos estar protegidos, encontra-se perfurado, conectando-nos com o mundo, através das tomadas. Ao plugar nossos dispositivos eletrônicos e digitais somos bombardeados por uma quantidade enorme de informações que nos sufoca, nos ocupa e nos preocupa, nos deixa ansiosos, transformando nossos corpos e nossas relações pessoais e sociais. Vivemos um período de uma obesidade anêmica, ou seja, um excesso que produz um esvaziamento.

O trabalho foi originalmente concebido para a exposição “Flusser e as Dores do Espaço” que aconteceu em 2017 no SESC Ipiranga e agora será remontado na Casa Galeria.

SOBRE OS ARTISTAS

A parceria entre Rodrigo Gontijo e Simon Fernandes aconteceu quando eles realizaram no mesmo ano de 2017, as instalações FUTU MANU (Rodrigo Gontijo) e CONCERTO FECHADO PARA QUATRO VOZES (Simon Fernandes). Estes trabalhos incorporam elementos sonoros e visuais que lidam com construções poéticas à partir de inflexões do real. Tais elementos reaparecem e ganham novos contornos na CASA FURADA.

Junto com CASA FURADA, FUTU MANU e CONCERTO FECHADO PARA QUATRO VOZES também serão apresentados na Casa Galeria.

MINI-BIO

Rodrigo Gontijo é artista, pesquisador e professor no Centro Universitário SENAC. Desenvolve projetos de cinema ao vivo, instalações e documentários. Já recebeu o prêmio APCA (2005 e 2008) e Melhor Documentário no Festival de Gramado (2005).

http://www.rodrigogontijo.com

Simon Fernandes é artista visual, membro da Da Haus, atualmente desenvolve instalações de múltiplas linguagens a partir da exploração de sonoridades, do uso poético dos materiais, bem como de ferramentas digitais.

TRABALHOS APRESENTADOS NA CASA GALERIA

CASA FURADA (Rodrigo Gontijo e Simon Fernandes, 2017)

Instalação com 1.000 tomadas e 200 dispositivos sonoros com sons captados pela cidade produzindo um excesso de informações.

FUTU MANU (Rodrigo Gontijo, 2017)

Futu Manu parte do material bruto do documentário “O Escasso Ar de uma Ilha” (Rodrigo Gontijo, 2005), onde as imagens da catarse da briga de galos, jogo popular timorense, tornam-se metáfora da violência vivida ao longo dos 25 anos de ocupação pela Indonésia em Timor-Leste. Quadro de penas, depoimentos em áudio, fotos e vídeo compõe a instalação.

 CONCERTO FECHADO PARA QUATRO VOZES (Simon Fernandes, 2017)

O projeto consiste em usar registros sonoros de vozes captadas na cidade em transportes públicos, manifestação e conversas corriqueiras. E por meio de um mecanismo formado por alto falantes de contato, motores de vibracall e circuitos, transferir essas oscilações a pequenos objetos de diferentes materiais, compondo assim uma instalação de sonoridade sutil. Cada um desses materiais reagirá de forma diferente aos impulsos sonoros e ao espaço, as barras de chumbo vergam com a ação da gravidade e abafam o som, o aço galvanizado amplifica o efeito da vibração, a folha de ouro ondula.

EXÍLIOS (Rodrigo Gontijo, 2016–2018)

Deslocamentos, derivas, devires. Série de 27 fotografias em preto e branco que apontam para a ausência humana, propondo rotas de fuga para um possível exílio, um local de escape que permite libertar-se das perseguições externas e/ou internas metaforizadas por sensações de solidão, isolamento, incomunicabilidade.

 

 

 

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