Um pouco sobre a Casagaleria

cartao ultimo frente

Recendendo ainda o frescor e a alvura das tintas, pano de fundo para as obras que exibe em seu espaço luminoso e agradável, a CasaGaleria Oficina de Arte abre suas portas como um dos mais novos locais de fruição artística na cidade.

Localizada no número 1216 da rua Fradique Coutinho na vila Madalena, lograsse, não apenas um espaço de exibição para artistas, mais também um local receptivo para a multiplicidade e diversidade que caracterizam a liberdade individual e a natureza da arte na atualidade.

Abrir espaço para as múltiplas roupagens, como as que revestem a arte de nosso tempo, com amplo painel de possibilidades expressivas estendendo-se desde o desenho até as vídeo/arte e instalações , são as intenções da proprietária, Roseli Demercian, a Loly. Intenções e ideais fomentados ao longo do tempo ( fundada em 2004) e estruturados pelas pesquisas desenvolvidas durante sua formação artística e acadêmica.

Em seu espaço, aberto para recepcionar artistas cujas as obras reúnam qualidades e características que expressem a contemporaneidade, pretende ainda, promovê-lo como local de mediação entre artistas, arte e público, com exposições que possam contrapor meios e procedimentos.

O ambiente artístico idealizado por Loly, portanto, pretende ser um lugar de fruição dos conteúdos exibidos pelos artistas residentes, orientados por ela, criando contrapontos de tendências, meios e procedimentos criativos. E ser também como um local de oportunidades para a prática expressiva. Para isso, entre outras atividades a serem proporcionadas para o publico, quer ateliês, oficinas, palestras, cursos, e outras formas de mediação e dialogo entre publico e arte contemporânea.

CasaGaleria Oficina de Arte, convida-o a incluí-la em seu roteiro cultural!

 

www.lolydemercian.com.br

loly@lolydemercian.com.br

 

Casa Galeria e oficina de arte Loly Demercian

Rogério Barbosa artista plástico

2 series e cadernos

Rogério Barbosa
A trajetória artística de Rogério Barbosa se iniciou aos 17 anos, quando ele decidiu deixar sua cidade natal, Pouso Alegre, para estudar artes plásticas em São Paulo. Filho de agricultores da região, com uma tradição predominantemente rural, enfrentou o desafio da mudança radical de partir para uma grande cidade e lidar com um assunto em si bastante complexo e subjetivo. Cursou a Escola Panamericana de Arte entre 1987 e 1990, voltando a Pouso Alegre, passou a lecionar matérias relativas a Arte e História da Arte e escolas da rede particular de ensino, atividade que manteve até 2002.
Neste período, manteve seus contatos com as instituições de arte em São Paulo e frequentou o atelier de pintura do MUBE, Museu Brasileiro de Escultura , em oficinas ministradas pelos artistas Carlos Fajardo e Dudi Maia Rosa, que muito contribuiu em suas escolhas e caminhos dentro da Arte Contemporânea. Participou de diversas exposições e salões, sendo a última individual na Galeria Baró Senna, em São Paulo.
Os trabalhos de Rogério Barbosa estabelecem-se nos limites fugidios do Desenho e da Pintura. Por vezes, o desenho atravessa a matéria pictórica ou sobrepõe suas cores econômicas e terrosas, e se afirma quase abstrato, ainda que com resquícios de uma figuração recorrente como pequenas memórias. Em outros trabalhos, a pintura, somada ao uso de materiais pouco convencionais como verniz, asfalto e terra, dissolve as arestas do desenho como quisesse rebaixá-lo
sem, no entanto, descaracterizá-lo . Frente a este embate, faz-se importante ao observador que transite entre os dois universos, ciente de que as tensões estabelecidas entre eles se somam como qualidade plástica, e que desnecessário seria engessar os trabalhos em uma ou outra categoria. Mais importante talvez deixar-se levar pela carga emocional que os trabalhos suscitam e ouvir os ruídos que provocam nos nossos sentidos.

Teodoro Stein Carvalho Dias
Texto escrito para a exposição no Instituto Moreira Salles de Poços de Caldas-MG em 2012.6 papéis8 papéis

 

Texto curatorial da exposição “Culpa de ser e Culpa de não ser”

Culpa de ser e culpa de não ser

 

Segundo Stuart Hall, o processo de formação cultural de um povo, de uma nação, é que lhe dá identidade. São histórias contadas e recontadas; memórias que estabelecem um nexo etiológico entre o presente e o passado, ou seja, uma verdadeira “comunidade imaginada”.

E esse fenômeno de identidade cultural foi duramente afetado na história do povo Armênio e de várias outras etnias e nações.

A diáspora, não há dúvida, causa destruição da memória de uma nação. Afeta suas narrativas, suas experiências compartilhadas, suas perdas, seus triunfos, a literatura, cultura popular, sua ancestralidade, a língua falada etc. Tudo se perde. Os filhos da diáspora estão longe de sua terra natal e são obrigados a se inserir em uma nova cultura, uma nova língua, refazendo suas vidas com perdas não raro irrecuperáveis.

Para se entender o genocídio do povo armênio, é curial que estude o Império Otomano, notadamente no final do século XIX e início do século XX. Esse é o cerne desta exposição. Pela arte, procurou-se reescrever essa história, identificar seus personagens, suas trajetórias e a forma pela qual construíram suas narrativas imaginárias.

Esse é apenas um fio condutor para se descortinar no pensamento um autêntico processo conscientizador.

A artista ANA LUIZA KALAYDJIAN, apresenta a instalação “Testemunho”. Este trabalho, desenvolvido ao longo deste ano, reúne histórias de sobreviventes, netos e filhos do genocídio Armênio. Em “Círculo Invisível”, a artista se apropria da farinha (simbolizando a ausência do pão e a fome no deserto sírio) e a apresenta de uma forma performática por meio de vídeo e também de forma escultórica, resultando várias leituras subjetivas da ancestralidade do povo Armênio.

A artista CAROL KURCIS, pela lente de sua máquina fotográfica, com muita sensibilidade, apresenta imagens das faces de pessoas em P&B dentro de tramas, como se cada fio da trama representasse uma história, uma memória, uma saudade.

As cores tonais apresentadas nesse contexto são frias, neutras, pois elas representam o não-reconhecimento, por vários países, inclusive o Brasil e a Turquia, do genocídio do povo armênio.

O artista plástico NICK ALIVE, em obra criada com a técnica do grafite, valendo-se de cores menos frias, desvela o Monte Ararat, que desperta muitos desejos e esperanças, pois significa a separação territorial, os conflitos, a religiosidade, a beleza e a grandiosidade que povoa o imaginário do povo armênio.

PAULO HARDT, artista plástico e publicitário, expõe uma escultura que, pelas formas e pela escolha do material – o concreto – representa os túmulos e os tempos sombrios que culminaram na matança indiscriminada de inocentes e a expulsão de todo um povo de sua terra natal.

As performances de JANAÍNA BARROS e WAGNER VIANA – professores, artistas plásticos e militantes dos movimentos pelos direitos de igualdade racial – cuidarão das novas diásporas, não só aquelas criadas pelas migrações pós-coloniais, como também aquelas vivenciadas pelos jovens negros da periferia e a população indígena genuinamente brasileira.

Por fim, haverá a exibição do Road Movie “RAPSODIA ARMENIA”, composto por uma polifonia de personagens, no qual rostos armênios e suas músicas são os verdadeiros protagonistas, com a presença dos diretores/ cineastas CASSIANA DER HAROUTIOUNIAN, CESAR GANANIAN E GARY GANANIAN, para uma conversa sobre o processo e produção do curta metragem.

No decorrer da semana, outros filmes e documentários produzidos por cineastas armênios e outros cineastas internacionais, traduzidas e legendadas por CHARLES APOVIAN.

Espera-se que, a partir do resgate dessas memórias, seja possível sensibilização sobre questões tão atuais, quais sejam: as guerras civis e étnicas; as novas diásporas; a conquista de poder pela violência; a ignorância e a falta de alteridade.

Como salienta Maria Rita Kehl, […] “não querer saber de nada”, é o apego à ignorância que caracteriza a nova barbárie diagnosticada por Walter Benjamin às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Seria justamente a disposição subjetiva capaz de promover tanto a paixão amorosa quanto os ódios apaixonados que podem incendiar multidões e autorizar toda espécie de violência em nome de ideias de segregação e pureza.

 

Loly Demercian.