Acontece em NOVEMBRO na CASAGALERIA

AGENDA

Conversa com artista
Dia 10  de novembro as 13h
abertura da CNT 2018
Dia 14 de novembro as 19h
Conversa com artista: Ana Carmen Nogueira – Encáustica ( ateliê).
Dia 21 de novembro as 19h
Conversa com as artistas Marietta Toledo e Kika Goldstein.
Dia 23 de novembro as 19h
Conversa com os artistas Azeite de Leos e Daniel Moreno.
Dia 24 de novembro as 15h
Conversa com os artistas Edu Silva e Milton Blaser.

Cinema

Dia 22 de novembro as 19h exibição do documentário premiado  “CUBA JAZZ” – ( Documentário que narra, através de depoimentos de cubanos ligados ao jazz, de shows e de cenas da vida cotidiana da cidade de Havana, o arranjo cultural da ilha de Cuba, que vive praticamente isolada/bloqueada há mais de 50 anos. Usando o jazz como metáfora da vida sem bloqueios geopolíticos, colhemos testemunhos sobre as formas de diálogo, escuta, intercâmbio, mistura, resistência e improvisação, que afirmam a arte como filosofia da liberdade) .
E depois da exibição, conversa com o roteirista do filme Prof.Dr. Rogério da Costa,  sobre a experiência e vivência com os músicos em Cuba.

Dia 24 de novembro as 16h.30 apresentação da performance audiovisual  “Derivas” com Rodrigo Gontijo e convidado.

CNT 2018 – COLETIVA DE NOVOS TALENTOS 2018

 

 

CNT 2018 – COLETIVA DE NOVOS TALENTOS 2018
Abertura dia 10 de novembro às 13 horas

A Casagaleria e Oficina de Arte – Loly Demercian desde a sua fundação, há 14 anos, vem procurando investigar e questionar as diversas práticas em artes visuais.
A experiência adquirida ao longo desses anos facilitou a compreensão das práticas de curadoria. É fundamental para tal desiderato a compreensão e intelecção dos discursos dos artistas e a sua intenção em relação ao objeto, mas sem incorrer no vício ou no equívoco do reducionismo de um único caminho a ser questionado. Procuramos ampliar esse olhar e o entendimento no processo artístico.
Como se sabe, a arte do século XXI, baseia-se na realidade (simbólico, relações sociais) e  no real ( narrativa, como você vê o mundo) , não se baseia apenas no objeto, mas no processo desse objeto, ou seja, a experiência que nele está contida (realidade,  contemporaneidade, cotidiano etc), descortinando novas práticas dos conceitos tradicionais de arte.
Nessa codificação de diferentes percepções do objeto é que está configurada a construção da linguagem visual: o objeto percebido. A arte, nisso tudo, situa-se na metalinguagem e só se torna significativa quando o sujeito é provocado.
Para que isso aconteça, ela tem que ser apreciada, olhada, sentida, percebida no espaço em relação ao tempo da experiência estética, não importando onde ele esteja (se nas mídias digitais ou qualquer outro lugar do espaço). O importante é que o sujeito estabeleça uma discussão imediata com o objeto e que seja envolvido no processo de significações da obra, isto é, além de perceber a relação espaço/tempo, ele deve habitá-lo.
Casagaleria e Oficina de Arte Loly Demercian, portanto, formula um convite para descoberta das experiências que o seleto grupo de artistas têm a demonstrar na materialização do espaço expositivo, que não surgiu do acaso, mas, ao reverso, emergiu de conversas, encontros e trocas reunidas.
Em outras palavras, as interações humanas, configuram relações intersubjetivas de maneira a tornar a arte um lugar de encontro, de ligação e de convivência com o sensível.

Loly Demercian

Fragmento sem frase: Luiz 83

 

Quadrados, triângulos e círculos, amarelo, azul, vermelho e uma única letra. Formas, cores e padrões gráficos elementares associados a um vocabulário que surgido nas ruas é refinado pela experiência que nas ruas também foi adquirida. Nascendo e vivendo em São Paulo, Luiz 83 prospecta na paisagem urbana sugestões de fragmentos de arquiteturas e um glossário gráfico pessoal. Toda essa operação será elaborada num conjunto de estruturas plásticas que resultam em síntese seca e inventiva que toma partido das soluções construtivistas também presentes na sua escultura. Essa síntese contempla o fragmento e o enunciado deixando aos olhos, e a sensibilidade de quem a observa, a tarefa de completá-las.
No percurso dessa construção do espaço pictórico as formas constituídas são
realçadas por cores que quando aplicadas ao suporte não suprimem o branco próprio á tela, mas, pelo contrario, incorpora e beneficia-se dele para intensificar o signo, iluminar e “acender” as cores, criando nessa superfície uma espécie de fosforescência de acento pop confirmando, num certo sentido, a conexão do artista com o universo da “street art”.
Assim para além das interessantes soluções formais que essa seleção de obras apresenta estão as origens dessas criações, isto é, as ruas que são ainda hoje laboratório e suporte para o exercício criativo do artista, talvez por isso as composições mantenham frescas na superfície da tela ou n o metal recortado o calor do seu lugar de origem sem, no entanto, desprezar o caminho, também pouco ortodoxo, que tornou possível ao artista tomar contato com outras experiências que acabaram por acrescentar uma maior densidade poética ao trabalho de Luiz 83. De fato fica a interessante sugestão que um projeto construtivo em arte no Brasil pode abarcar territórios outros que não aqueles demarcados e consagrados pela academia como únicos e canônicos, sem por isso negá-los.

Claudinei Roberto da Silva
Setembro, 2018

Exposição MUR/MUROS

 

AZEITE DE LEOS fez graduação e licenciatura na Faap/SP, desenvolvendo os projetos “Monotipias – Processo Criativo” (gravuras) e “Eu no Desenho”. Ingressou no pós-graduação estrito sensu na Faculdade Santa Marcelina, apresentando a dissertação mestrado com o tema “Narrativas Cotidianas”.

Pela FAAP foi selecionado para integrar uma residência artística “Cité Internacionale des Arts Paris”. Desde então, talvez por influência dos ares parisienses, passou a ser um caminhante das artes.

É que no século passado, circular com o ateliê nas costas e observar a cidade, o movimento, o tempo, os lugares, tal como um andarilho, era comum. Assim o fizeram Baudelaire e tantos outros no início do modernismo.

Como salienta o artista plástico e educador Joe Fusaro, os trabalhos de arte contemporânea apresentam combinações dinâmicas de materiais, métodos, conceitos e assuntos que desafiam concepções tradicionais e definições simplistas. Muitos artistas da atualidade enfatizam as possibilidades de expressão das diversas linguagens artísticas para além do compromisso com técnicas consagradas pela história da arte.

DE LEOS é artista e educador, professor do ensino médio e fundamental. Em razão disso, ele necessita de um olhar que transcenda o seu tempo, mas que, ao mesmo tempo, o mantenha sempre conectado ao presente.

Fazer educação como quem faz arte implica a disponibilidade de experimentar as próprias ações desenvolvidas em escolas, centros culturais e exposições: a consciência de que é preciso deixar de utilizar obras de arte apenas para ilustrar temas e conceitos, desenvolvendo-se uma postura ativa de pesquisa em relação aos processos artísticos e seus desdobramentos.

Em seus novos trabalhos que ora apresenta na Casagaleria e Oficina de Arte, DE LEOS, pensando nas constantes transformações e transitoriedade da urbe – e como essas transformações estão associadas às mudanças das relações entre as pessoas e o meio –realiza um estudo acerca dos resíduos urbanos, que simbolizam, na sua visão, as marcas da passagem do tempo e das transformações urbanas que acontecem cada vez mais rápido e de maneira desordenada.

Por essa razão, no contexto das relações das pessoas com a dialética das reconfigurações do espaço urbano e suas memórias, as rachaduras em muros, as manchas nas fachadas das edificações, os desgastes nas calçadas e os fragmentos de construções podem, segundo o artista, ser utilizados como forma de questionar as possibilidades de permanência e reorganização.

Esse é o sentido de MUR/MUROS, expressão que, contraída, gera o duplo sentido (murmuros), indicando as barreiras (muros) que dividem etnias, territórios, religiões, súplicas etc.

O acaso está presente em seu processo, com materiais específicos, vindos de uma leitura dos gravuristas. A monotipia dirige seu olhar para a prática cotidiana, na qual impõe-se encarar e dominar a realidade.

DE LEOS está na categoria do agir. A rigor, ele nunca sabe o que vai acontecer quando procede a descamação da parede. É nesse agir que a intencionalidade do artista se torna independente, porque resulta ações construtivas.

O acaso é apenas um dos seus elementos técnicos: ele desenvolve ainda a pesquisa das oxidações. Tal como nas gravuras em metal, as oxidações acontecem e o artista delas se apropria com muita maestria, encorporando-as em suas obras juntamente com vários tons do betume. Além disso, utiliza-se da cola que dá volume e faz emergir desenhos.

Por desenvolver experimentos de natureza híbrida, o artista ainda se dedica à fotografia e ao video como dispositivos para sua ações. Apesar da utilização de superfície tradicional (a tela e o papel), as gravações são únicas, sem cópias.

As tensões nos processos realizados por DE LEOS estabelecem ideias sobre o caos com deslocamentos de textura das paredes, estruturas dinâmicas em tons de betume e diferentes oxidações. Trata-se de um trabalho em transformação, um autêntico gesto inacabado.

Roseli Demercian. curadora de arte

 

mini bio do artista Azeite de Leos.

Participou do Programa de Residência Artística Cité Internacionale des arts Paris: pela Fundação Armando Alvares Penteado – FAAP em parceria com Cité Internacionale des arts em Paris. Realizou exposição individual “Entre Processos” na galeria Jaqueline Martins. Participou de diversas exposições, tais como: “Um livro sobre a morte” Museu Brasileiro da Escultura – MUBE, ABERTO 10 em Uberlândia – MG, “Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo” – SP, “Salão Luis Saciloto de Santo André” prêmio aquisição, “34° Anual de Arte da FAAP”, “4o Salão de Americana” prêmio revelação e a “Chapel Art Show”. Ilustrou revistas e livros infantis como a “Declaração Universal do Moleque Invocado” de Fernando Bonassi, “Historinhas Malcriadas de Ruth Rocha e “Ana está furiosa” de Cristine Nosthingler. Atua como educador em oficinas, instituições, escolas e palestras. Realizou trabalhos em setores educativos de museus e exposições temporárias como, SESC-SP, MAB-FAAP, Museu da Imagem e do Som (MIS), Itaú Cultural, e, desenvolveu trabalhos como supervisor e tutoria do curso de ensino a distância na formação de professores em arte contemporânea oferecido pela Fundação Bienal de São Paulo, Supervisão e assistência de educadores para Educativo da Fundação Bienal de São Paulo na exposição 30a Bienal de Arte de São Paulo. Integrou a equipe CE CEDAC realizando formações em artes nos projetos da instituição. Integrou a equipe de educadores do programa Fábricas de Cultura realizando ateliês de criação em artes visuais. Atualmente é professor de artes no 1o ano do Ensino Médio Técnico e do Ensino Fundamental II do Colégio Módulo.

 

Curso: O Cuidar de Si e a Conquista da Liberdade


Casagaleria convida para o curso: Cuidar de si e a conquista da liberdade com Frederico Camelo Leão.

Para maiores informações entrar em contato com delolis@gmail.com

PROFESSOR DR. FREDERICO CAMELO LEÃO

Como conquistar a liberdade? O curso se propõe a discutir como a transformação do conceito de si, interfere nas maneiras de ver o mundo e a conquistar a liberdade. Serão realizados encontros e reflexões filosóficas, englobando perspectivas da psiquiatria, psicologia e psicanálise através de uma cartografia de conceitos que entrelacem conhecimentos da filosofia antiga, moderna e contemporânea.

Data: Todas TERÇAS-FEIRAS

Total de 8 encontros:

21/08 – Consciência, conceito de si e liberdade na visão da medicina ; – Hábitos e práticas na busca da qualidade de vida e saúde segundo a medicina

28/08 -A Psicanálise e os cuidados com o si (busca de autoconhecimento, percepção e consciência nos hábitos do cotidiano)

04/08 – O conceito de si e a liberdade na sabedoria antiga: Grécia (Sócrates, Platão, Aristóteles e Estoicos)

11/08 – O conceito de si e a liberdade na sabedoria antiga: Índia (Vedas, Upanishads e Bhagavad Gita)

18/08 – O conceito de si e a liberdade na sabedoria antiga: China (Confúcio, Lao Tse e Lao Tzu)

25/09 – O conceito de si e a liberdade na Filosofia Moderna (Descartes, Kant, Hegel)

02/10 – O conceito de si e a liberdade na Filosofia Contemporânea (Nietzsche, Foucault e Peirce)

09/10 – O conceito de si e a liberdade nas Artes (Literatura, Ópera e Pintura)

Horário: 20h às 22h

Curso com certificado.

Investimento: 3 x R$ 266,66 (sem juros) –> LOJA

Onde: Rua Fradique Coutinho , 1216 – Pinheiros

Mesa Redonda com Rogerio da Costa – Sesc CPF

http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/a-cozinha-das-emocoes-e-sentimentos-no-cinema-latino-americano

Rogerio da Costa, que ministrou o curso sobre Espinosa realizará uma nova apresentação no Sesc CPF
-cozinha-das-emocoes-e-sentimentos-no-cinema-latino-americano

Data
26/07/2018 a 30/07/2018
Dias e Horários
26/7, Quinta, 14h às 18h30.
30/7, Segunda, 14h às 16h.

As inscrições podem ser feitas a partir de 27 de junho às 14h, aqui no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Local
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 4º andar
Bela Vista – São Paulo.

Valores
R$ 15,00 – credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes
R$ 25,00 – pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e professor da rede pública com comprovante
R$ 50,00 – inteira

Texto critico da exposição” O centro nada retém”

Com um percurso ligado à pesquisa sobre arte urbana, com destaque para seu projeto “Ectoplasma”, a artista francesa Raphaelle Faure-Vincent propõe em seus recentes desenhos, serigrafias, fotos e gravuras um olhar que desconstrói o urbano, que nos revela o quanto ele é, simultaneamente, dobrado por forças do fora e tencionado por elementos do dentro. Essa tensão entre o dentro e o fora também está presente na atual exposição, intitulada “O centro nada retém”, marcada sobretudo por gravuras em metal.

O que nos atrai no amassado, amarrotado, embrulhado e desarrumado das gravuras de Raphaelle é esse jogo constante entre a leveza da luz e a espessura da matéria. Isso é notável nos trabalhos Octácoro e Variações, por exemplo, onde a luz brota do retorcido do papel por sua profundidade entreaberta. Mesmo quando imaginamos estar diante de uma foto aérea de uma cidade noturna, como em Variações e Expansões, é o amarrotado dos territórios deixando escapar as dobras de luz, o imaterial do peso material. O volume dos trabalhos vive essa espécie de indecisão entre o amassado do papel, o contorcido da matéria e o esgarçamento da luz, o desdobrar dessa interioridade. Não sabemos se foi a matéria que se amassou ou a intensidade da luz que a contorceu.

No fundo, trata-se do dilema mesmo da paisagem urbana que nos rodeia: construções, ruas, fiações, lixos, enfim, pilhas de concreto, vidro e aço empilhados e amassados pelas forças e interesses econômicos, mas tencionados pelas forças da vida, essa força luminosa de um dentro que se desdobra no esforço em permanecer na existência.

Rogério da Costa

EXPOSIÇÃO – O CENTRO NADA RETÉM

 

ABERTURA sexta 22/06 as 19H

O centro nada retém

A exposição propõe um diálogo constante entre a gravura e obras em volume.
O intuito da artista Raphaelle Faure-Vincent é criar formas a partir das próprias características dos materiais e dos processos utilizados. A Gravura é desviada, o papel amassado, passando assim da dimensão plana para o espaço tridimensional. As dobras se transformam em luz, o papel é dobrado desdobrado , contrai-se e se expandi. As obras são únicas e conversam entre si. A criação de cada obra decorreu da produção de todas as outras .

Rua Fradique Coutinho, 1216 cep: 05416.003 Pinheiros
funcionamento:
segunda a sexta: das 13h as 20 h
sabados : das 13 as 17 h
– gratuito
loja.casagaleria.com.br
tel.: (11) 3841-9620

Palestra Pálido pontinho azul: uma humilde reflexão sobre nosso papel no planeta Terra

Palestra na Casagaleria que acontece dia 08/06 às 19h com Patricia Campana
Além do desenvolvimento tecnológico, a ciência nos propicia uma nova
forma de reflexão na qual o pensamento crítico é o centro, e através
desta racionalização a ciência fornece respostas e, por extensão,
esperança ao ser humano.
Na viagem através do tempo e do espaço proposta nos episódios da série
Cosmos, de Carl Sagan, em especial em “Pálido pontinho azul”, a Terra,
vista a uma distância muito grande é apenas um ponto de luz
azul-claro, dando-nos a percepção de que, numa escala universal,
nossos conflitos são irrelevantes: uma lição de humildade.
Nossa reflexão recai sobre a necessidade do ego coletivo do ser humano
sofrer um grande rebaixamento para que nossa perspectiva se torne mais
humilde e em conformidade com os fatos de que estamos destruindo nosso Lar.

¿Vamos a la playa?

A Terra é hoje um paciente em observação: suas artérias estão entupidas pela poluição, o equilíbrio de seu sangue foi afetado pelas mudanças climáticas. O acúmulo de CO2 (dióxido decarbono) na atmosfera, aumentado pela nossa avidez por consumo, é mais um dos inúmeros maus-tratos a que submetemos a quemchamamos ironicamente de “Mãe” Natureza. Impactando diretamente   o oceano, o CO2 aumenta a acidez da água e, dessa forma, ameaça a existência de corais, conchas e de todo e qualquer outro animal que tenha um esqueleto de carbono de cálcio. (Helton Escobar/ Jornal O Estado de São Paulo).

Quase ninguém vê o que acontece debaixo d’água. Visto da praia, o mar o parece uma grande poça d’água, de certo modo, estática. Mas, na realidade o oceano é tão dinâmico, diverso e rico em vida quanto uma grande floresta… E também equivalente a uma grande floresta é a destruição dos mares e dos oceanos que a espécie humana está promovendo. Os impactos da ação humana são imensos: segundo a oceanógrafa Sylvia Earle, cerca da metade dos recifes de coral da Terra já desapareceu. Ainda, aproximadamente 90% dos grandes peixes marinhos, animais esplendorosos como o atum-azul, o espadarte e várias espécies de tubarões, já foram extirpados do oceano pela pesca predatória. Na 32º Bienal de São Paulo, Incerteza Viva, realizada em 2016, o curador Jochen Voltz já denunciava os modos pelos quais entendemos o mundo hoje: a degradação ambiental e o aquecimento global.

A pesquisa foi realizada a partir do pensamento cosmológico, a inteligência ambiental, coletiva e a ecologia sistêmica e natural.

Paulo em seu discurso político, ativista e com inconformismo, buscou retratar através do dispositivo fotográfico a dissonância a qual nos encontramos. A arte se vale da incapacidade dos meios existentes para descrever o sistema de que somos parte. Essa estratégia estética é capaz de promover uma ação política pela ligação que se constrói com a subjetividade de cada indivíduo, possibilitando adesão a um coletivo que atua em determinado contexto social.

A exposição na Casagaleria e Oficina de Arte mostra que o artista assume a fotografia como meio de expressão, resultando numa complexidade de entendimentos, pois em determinado momento as fotos caracterizam uma denúncia e, por outro lado, por sua esmerada produção estética ressaltam o belo. São imagens que trazem como referência a arte conceitual e ativista, como também estruturas de pesquisa ambiental e ecológica.

É necessário considerar que a trajetória do artista – a prática figurativa – sempre esteve presente em suas pinturas. Com o amadurecimento de sua pesquisa e experiências cotidianas, o seu raciocínio pictórico descortinou novas soluções, como a fotografia, para registraros rastros do tempo.

Olhando de longe as imagensfotográficas parece até que os objetos foram postos delicadamente na areia para serem fotografados, mas o próprio mar tentou levá-los ou expulsar da praia a sujeira que o ser humano deixou. Os rastros, no entanto, são impossíveis de apagar – Rastros da ignorância humana.

Roseli Demercian/2018

Patricia Campana/2018